Uma manobra da oposição suspendeu ontem, por falta de quórum, as votações da continuidade do processo de impeachment do governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (sem partido) e do relatório final da CPI da Propina. Quinze deputados pró-afastamento esvaziaram o plenário da Assembléia alegando não concordar com o número de votos necessários para a aprovação do impeachment.

O presidente da Assembléia, José Carlos Gratz (PFL), determinou, baseado em parecer da procuradoria da Casa e, segundo ele, na Constituição Federal e na do Estado, que eram precisos 20 votos do total de 30 deputados para dar prosseguimento ao processo. A oposição fez as contas e descobriu que teria apenas 15 dos 20 votos necessários.

Gratz, até as 19h30, estava convocando novas sessões extraordinárias e ameaçava engavetar o processo caso. Com a decisão da mesa de manter dois terços dos deputados para a aprovação do impeachment, a oposição entrou imediatamente com recurso na Comissão de Justiça para tentar mudar o quórum. O grupo tem até três sessões para debater e dar parecer sobre o caso.

Ignácio é acusado de conivência com esquema de propina para a liberação de benefícios fiscais, caixa 2 e empréstimo irregular. Ele nega todas as acusações e diz que afastou todos os suspeitos de irregularidades, além de ter incentivado a criação de uma CPI para apurar a corrupção.

O dia em frente à Assembléia foi marcado por manifestações prós e contrárias ao processo de afastamento do governador. Não houve confrontos graves, segundo a PM. Estudantes universitários, do movimento ''Patrulha da Limpeza'', lavaram a escadaria da assembléia pela manhã. A CUT distribuiu cerca de 5 mil pizzas e calculou que havia 3 mil manifestantes no local. Das galerias do plenário, pessoas jogavam moedas nos deputados.

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