Depois de um dia tenso por causa das denúncias sobre a quebra de sigilo do painel eletrônico do Senado, da qual teria participado, o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) ganhou uma sobrevida na liderança do governo. No meio da tarde, as notícias deram como certa a derrubada de Arruda da função, especulando até que a ordem havia sido dada pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso.
Horas depois, a manutenção foi decidida em reunião de quase duas horas realizada no gabinete do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e comunicada, por telefone, ao presidente FHC. Depois de uma longa discussão sobre o clima de suspeição envolvendo senadores, que aprofundou a crise política, partidários do PMDB, PSDB e PFL concluíram que a saída, mesmo temporária de Arruda, serviria para abrir precedentes. ‘‘Qualquer pessoa atingida por denúncias teria que deixar o cargo’’, disse um parlamentar que participou da reunião.
O próprio Jader, que está sendo acusado de envolvimento em irregularidades na Sudam, seria alvo de pressões. Reservadamente, muitos senadores já defendem o seu afastamento da presidência do Senado enquanto as denúncias sejam investigadas.
Antes de chegar ao gabinete de Jader, Arruda havia acertado com o presidente Fernando Henrique, com quem se reuniu no Palácio da Alvorada, que se licenciaria do cargo até que as apurações fossem concluídas no âmbito do Conselho de Ética. Na avaliação de interlocutores do Palácio do Planalto essa solução seria a melhor, uma vez que a manutenção de um líder sob suspeição poderia atingir negativamente o governo.
‘‘O processo não ficaria apenas na cassação de Arruda e do senador Antonio Carlos, acusados de mandar violar o painel eletrônico, mas se estenderia também ao presidente do Senado’’, avaliou um líder partidário. Com a solução, os aliados do governo tentam evitar novas pressões sobre Jader e a outros políticos que eventualmente venham a ser acusados. Além de Jader Barbalho e José Roberto Arruda, participaram da reunião no gabinete da presidência do Senado, o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), e o ministro dos Transportes, Eliseu Resende.
Em discurso à tarde no plenário, Arruda se defendeu das acusações, mostrando documentos que comprovariam que ele estava em outro lugar no horário referido pela ex-diretora do Prodasen (centro de processamento de dados do Senado) Regina Célia Peres Borges, da reunião em que o senador teria determinado a modificação do sistema, permitindo a identificação do votos no dia da cassação do ex-senador Luiz Estevão Oliveira (PMDB-DF).
Ontem, Luiz Estevão disse que pretende aguardar o desfecho das investigações sobre a violação do painel eletrônico para definir eventuais medidas judiciais a tomar. Segundo ele, o laudo técnico da Unicamp não encerra a discussão sobre uma suposta modificação dos votos que levaram à sua cassação, em 28 de junho do ano passado. ‘‘O importante para mim é que ninguém mais duvida de que houve violação e de que é possível, segundo os próprios técnicos, votar por um senador tendo a senha dele’’, declarou Estevão. ‘‘Se chegaram ao desvario de produzir uma lista, por que não fariam a adulteração dos votos?’’, indagou.

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