Manobra liquida CPI da Corrupção
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Cida Fontes Agência Estado De Brasília 
Encerrada a sessão de ontem do Congresso, a avaliação feita pelos principais líderes políticos é de que o governo obteve êxito na estratégia montada para impedir a instalação de uma CPI para investigar corrupção, com a estimativa da retirada de mais de 20 assinaturas ao requerimento. O número, no entanto, seria conhecido só à meia-noite de ontem. O êxito da operação governista foi devido também ao clima de distensão política estabelecido no Senado, com atuação decisiva do presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), e do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Ao conciliar os interesses do Palácio do Planalto, os dois contribuem para a retomada de um ambiente mais amistoso na Casa. Além do presidente Fernando Henrique, que teria conseguido bloquear a CPI, o resultado, até agora, favorece também Jader, uma vez que ele se livra de eventuais investigações sobre o suposto envolvimento em irregularidades na extinta Sudam e no Banco do Estado do Pará (Banpará), que seriam objeto da CPI.
Já a situação de ACM só poderá ser explicitada na quarta-feira da próxima semana, quando o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado se reunirá para votar o relatório sobre a violação do painel eletrônico.
Enquanto Jader, na condição de presidente do Congresso, preparou a situação para o eventual arquivo da CPI, ACM abriu a lista de retirada de assinaturas autorizando o recuo dos quatro deputados do PFL da Bahia, além de interferir junto a outros pefelistas. Depois dessa decisão, o governo conseguiu ampliar a margem de manobra.
Segundo outro líder da base governista, foi justamente a oposição, que se apresentou vacilante na reunião das 13 horas de ontem com Jader, que entusiasmou os governistas a fixarem na realização ontem da sessão do Congresso.
Naquele momento, portanto, os líderes tinham levantamento favorável à operação de retirada das assinaturas e a definição de que um deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) entraria com recurso à Mesa Diretora do Congresso, garantindo ao governo todas as frentes de atuação em caso de a oposição tirar do bolso outras assinaturas.
No começo da noite, os líderes da oposição já consideravam que a manobra do governo em conseguir retirar assinaturas do requerimento daria resultado. O deputado José Dirceu (PT-SP), presidente nacional do partido, acreditava que o governo conseguiria retirar pelo menos 12 assinaturas de deputados, o que já inviabilizaria a abertura da investigação são necessárias pelo menos 171 assinaturas. O requerimento para instalação da CPI mista foi apresentado ontem com 182 assinaturas na Câmara e 29 no Senado.


