Uma manobra adotada pela Procuradoria Geral do Município na segunda-feira no início da noite afastou a possibilidade de prisão do prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB). Na sexta-feira, o prefeito chegou a pedir habeas-corpus preventivo para evitar sua detenção por não ter cumprido decisão do presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Henrique Lenz Cézar. A Justiça mandou a prefeitura retornar ao sistema de transporte coletivo adotado na cidade até 1996.
A crise entre prefeitura e empresários começou em junho do ano passado, quando o ex-prefeito Dobrandino da Silva (PMDB) fez uma licitação para exploração das linhas de ônibus. Na ocasião, a Viação Morena foi excluída do sistema e, em seu lugar, entrou a Transportes Salto de Piarapora (TSP). O sistema funcionou até segunda-feira por meio de liminares.
Depois de dez dias sendo procurado por oficiais de Justiça, na segunda-feira cedo o prefeito recebeu a notificação da Justiça em sua casa. Através de uma manobra elaborada por seu gabinete e pelas secretarias da Administração e de Governo, o prefeito baixou um único decreto tomando quatro decisões: dissolveu o atual sistema de transporte coletivo, acatou a medida judicial e, ao mesmo tempo, reimplantou as mesmas linhas em caráter emergencial, e ainda prometeu fazer nova licitação em 180 dias.
A reunião entre empresários e prefeito, quando foi anunciada a medida, terminou em bate-boca entre o secretário de Governo, Paulo Ynoue, e o dono das empresas Viação Itaipu e Viação Morena, Ermínio Gatti. ‘‘Estão preparando a subversão do transporte urbano de Foz do Iguaçu’’, disse Gatti.
O empresário prometeu recorrer e afirmou que ‘‘tomaram uma decisão na calada da noite’’. A Procuradoria acredita que o fato de o prefeito manter o sistema em caráter emergencial não é uma afronta à Justiça.

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