No máximo 60 pessoas ligadas a entidades contrárias à privatização da Copel conseguiram acompanhar a votação de ontem na Assembléia Legislativa. Ao mesmo tempo, cerca de 50 manifestantes foram barrados pela segurança nas rampas de acesso às galerias, por não possuírem convite. Com isso, a galeria do plenário destinada à oposição esteve praticamente vazia, enquanto a reservada à situação ficou quase lotada, principalmente por funcionários públicos estaduais dispensados do trabalho por suas chefias.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), havia prometido distribuir 300 convites igualmente para os dois lados. A Folha apurou que isso não ocorreu. Entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a APP-Sindicato (sindicato dos professores estaduais) não conseguiram a credencial.
''Só estou aqui porque ganhei o convite de um vereador'', disse o presidente da APP, Romeu Gomes de Miranda, único representante dessa entidade, que reúne mais de 80 mil profissionais. Sérgio Inácio Soares, diretor regional do Sindicato dos Engenheiros de Maringá, viajou quase 500 quilômetros, mas foi barrado no saguão, por falta de credencial.
Pela manhã, representantes de entidades contrárias à privatização reclamavam que não conseguiam chegar à Assembléia, cercada de policiais, para retirar as credenciais. À tarde, Brandão reafirmou que havia mandado distribuir as senhas de maneira igualitária.
Além da ''falta'' de público, a primeira fila da galeria da oposição foi ocupada por 40 homens à paisana que não se identificaram como pertencentes a nenhuma entidade e se recusaram a dar entrevista. Para a oposição, eram policiais disfarçados e seguranças particulares contratados para intimidar os manifestantes.
O chefe da segurança da Assembléia, que se identificou como Marco Aurélio, disse que eram ''convidados'', mas o grupo avançou contra Nelson Sílvio de Souza, presidente da Força Sindical, quando Brandão mandou a ''segurança'' retirá-lo do local porque ele soou um apito. Outros dois oposicionistas duas mulheres foram retirados sob a alegação de ''tumultuar'' a sessão. Oficialmente, 78 seguranças atuaram na Casa.
No andar destinado aos favoráveis à privatização, a maioria era funcionário público. Constrangidos, poucos aceitaram dar entrevista e se identificar. Cláudio Adriano Bonfati, diretor da Paraná Educação, que liderava quatro subordinados, disse que a presença deles era espontânea e que a falta ao trabalho seria compensada depois. (Colaboraram Luciana Pombo e Maria Duarte)

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