Envolvido na articulação de bastidores para garantir a votação da emenda da reeleição, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), vice-líder do governo na Câmara, não acredita que o PFL consiga fazer vingar a idéia de aprovação da reeleição apenas para o presidente da República. ‘‘Foi o Inocêncio de Oliveira (líder do PFL na Câmara) que saiu com essa, mas a tese não deve vingar’’, aposta o parlamentar tucano.
Para garantir a reeleição apenas do presidente Fernando Henrique Cardoso, a votação teria de receber destaques em separado também com assinatura de três quintos, o que significa endosso de 308 deputados, ressalva Hauly. No entendimento do deputado, a faculdade de reeleição de governadores e prefeitos está embutida na emenda que vai a plenário.
‘‘Eu acho o governo Jaime Lerner o mais fraco do Paraná nos últimos tempos, e todo mundo sabe dos problemas que enfrentei em Londrina, mas acho que Lerner e Antonio Belinati têm o direito de se candidatar para mais quatro anos’’, diz o deputado, que perdeu a eleição para a Prefeitura de Londrina para Belinati, fazendo uma campanha de críticas ao governo Lerner.
Hauly endossa a estimativa do coordenador da bancada do Paraná no Congresso, José Borba (PTB), para quem o apoio à reeleição deve render de 18 a 20 votos dos 30 deputados paranaenses. ‘‘O balanço mais correto, entretanto, é no conjunto dos partidos’’, aponta Hauly.
As informações dos políticos, em Brasília, dão conta que o PFL trabalha pela reeleição de FHC e ao mesmo tempo articula a introdução de pedidos de destaque para impedir que os atuais governadores e prefeitos também sejam beneficiados pela mudança constitucional.
O interesse direto do PFL é tentar crescer nas eleições de 98, principalmente nos Estados governados por PSDB e PMDB, barrando a possibilidade de os atuais detentores de mandato voltarem à disputa.
Essa versão é mais forte que a que dá conta que a cúpula do PFL procura fazer o líder do PPB, Paulo Maluf, a ceder na votação da emenda com o consolo de disputar o governo de São Paulo - ao invés da presidência da República - sem ter de concorrer com o atual dono do cargo, Mário Covas (PSDB).

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