O Palácio do Planalto tentou o quanto pôde barrar a CPI ampla para apurar a corrupção no País, mas diante das dificuldades, acabou contando mesmo com a caneta do presidente do Senado, Jader Barbalho (PA), para ganhar tempo. No início da noite de ontem, Jader anunciou que determinara o adiamento das duas sessões do Congresso previstas para ontem – uma às 11 e outra às 19 horas.
Os líderes de oposição apostavam que, na sessão conjunta de ontem à noite, fosse lido o requerimento pedindo a criação da CPI, que deverá ser protocolado às 15 horas na Mesa Diretora do Senado. Antes da manobra de Jader, o governo tentou barrar a instalação do inquérito o quanto pôde, com uma operação de emergência que envolveu ministros políticos, articuladores e líderes do governo e dos partidos aliados, instalados em dois ‘‘quartéis-generais’’ nos Palácios do Planalto e da Alvorada.
Ao fim do dia, porém, ministros e líderes envolvidos no trabalho revelavam-se ‘‘céticos’’ quanto aos resultados concretos da força-tarefa montada nas últimas 48 horas, ao mesmo tempo em que os partidos de esquerda davam como certa a abertura do inquérito.
O adiamento da leitura dá uma semana de prazo para o governo insistir na retirada de assinaturas – cujo número já é regulamentar. As normas só permitem a inclusão ou retirada de assinaturas até a publicação do requerimento no ‘‘Diário do Congresso’’, o que ocorre no dia seguinte à leitura em plenário.

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