A bancada de oposição da Câmara dos Vereadores não conseguiu ontem as assinaturas necessárias à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as supostas irregularidades na prestação de contas da campanha eleitoral do prefeito Cassio Taniguchi (PFL). A bancada é formada pom 11 parlamentares do PT, PDT e PMDB. São necessárias 12 assinaturas para a instalação de uma CPI.
Os vereadores oposicionistas precisam de mais um nome não apenas para solicitar a CPI, mas também para ter autonomia para iniciar uma sessão na Casa. É preciso 12 vereadores, o equivalente a um terço dos 35 representantes na Câmara. Ontem, a bancada governista não compareceu ao plenário, impedindo que os trabalhos começassem.
O presidente da bancada de oposição, Paulo Salamuni (PMDB), esperava apresentar as denúncias aos vereadores ainda na terça-feira, mas uma manobra dos vereadores governistas impediu a apresentação. Os parlamentares ocuparam todo o tempo da sessão debatendo os projetos de lei que estavam na pauta, e a mesa da Câmara negou o pedido de prorrogação da sessão feito por Salamuni.
Para Salamuni, a confirmação do tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Júnior, de que a letra no livro-caixa era mesmo dele foi o motivo da debandada governista na sessão de ontem. ''Eles fugiram da raia porque não têm como explicar as irregularidades apresentadas no livro-caixa'' afirma Salamuni.
Salamuni acredita que a vereadora Arlete Caramês (PPS), pode ser a signatária que possibilitará a investigação. ''O PPS é um partido de oposição nacional, e recebeu o cargo de vice na campanha à prefeitura. Acredito que a vereadora Arlete poderá somar-se aos nossos esforços para apurar este escândalo'', analisa Salamuni.
A vereadora Arlete Caramês não foi encontrada para comentar o caso ontem, mas as declaracões do presidente do diretório do PPS estadual, Rubens Bueno, indicam que Salamuni pode estar correto na sua suposição. ''É uma linha-mestra do nosso partido investigar quaisquer irregularidades que surjam. Adotamos essa postura até mesmo para que os acusados tenham a chance de se defender'', afirma Bueno.
O coordenador do diretório municipal do PPS, Benjamin Zanlorenci, acredita que o partido pode defender a instalação da CPI, mas prefere acompanhar antes os novos fatos que devem surgir durante a semana. ''Não queremos nos precipitar. A denúncia é grave, mas queremos analisar os documentos antes para não cometermos injustiças'', comenta Zanlorenci.

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