Uma manobra realizada por doze vereadores de oposição da Câmara de Vereadores de Londrina adiou, de ontem para a próxima terça-feira, a votação da Comissão Processante (CP) da Centronic contra o prefeito Barbosa Neto (PDT). A oposição quis adiar a votação porque o vereador Eloir Valença (PHS) não apareceu na sessão. Logo pela manhã, o comando do PHS havia fechado questão a favor da abertura da CP, obrigando Valença, que anda afinado com Barbosa Neto, a votar alinhado com a oposição.
O partido manifestou publicamente, em ofício lido na Casa, que seu vereador deveria obedecer ao partido, ou sofreria sanções partidárias. Com a decisão do PHS, o número de votos contabilizados pela oposição subiria para 13, o mínimo necessário para abertura da investigação. Sem Valença, os parlamentares então pediram que o assunto da CP fosse retirado de pauta por uma sessão.
Oposição a Barbosa Neto, o vereador Joel Garcia (PP) foi irônico ao comentar a ausência de Valença no plenário. ''Nós contávamos com o voto dele. No dia 15 de dezembro o vereador Eloir Valença comunicou ao plenário que estava indignado com o caso Centronic e com guardas sendo usados na rádio do prefeito. Então, por homenagem ao vereador, para que ele possa ter a oportunidade, aqui no plenário, se dirigindo a todo o povo de Londrina, de expressar verdadeiramente seu voto, hoje doze vereadores solicitaram o adiamento da votação.'' No final da sessão, o pepista chegou a passar um vídeo no qual Valença afirmava que era favorável ao relatório da Comissão Especial de Inquérito da Centronic, que baseou o pedido de CP.
Somente no final da tarde, a assessoria de imprensa de Valença informou oficialmente à Casa sobre a ausência do parlamentar. Ele estaria em Brasília e chegaria às 15h30 em Londrina, mas durante toda a tarde o vereador não foi localizado. ''Ligamos em todos os lugares possíveis e não o encontramos. Agora, ele tem que assumir o voto dele no plenário (contrário ou favorável à investigação) e honrar os votos que ele fez nas urnas'', finalizou Joel Garcia.
O pedido de CP da Centronic foi feito pelo líder local do PMN, Benjamin Zanlorenci, que também é ex-secretário de Defesa Social, e foi baseado no relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Centronic. Entre outras supostas irregularidades, a CEI sustentou que dois vigilantes contratados pela Centronic receberiam salários da Prefeitura de Londrina para trabalhar na rádio particular da família do prefeito Barbosa Neto. Após o relatório ser aprovado no plenário, o PMN fez um pedido de abertura de CP para que agora se investigue se o prefeito é responsável pelas supostas irregularidades. Se for criada, a CP pode indicar ao final a cassação do mandato do prefeito ou o arquivamento do caso.
Mobilização
A Câmara, no início da tarde, contava com representantes dos dois lados nas galerias do plenário - um grupo apoiava o arquivamento da CP e a outra metade queria a abertura da investigação. Após a manobra da oposição, que conseguiu adiar a votação, as galerias se esvaziaram. Assinaram o requerimento pedindo a retirada do assunto de pauta os seguintes vereadores: Amauri Cardoso (PSDB), Antenor Ribeiro (PSC), Gerson Araújo (PSDB), Ivo de Bassi (PTB), Jacks Dias (PT), Joel Garcia (PP), Lenir de Assis (PT), Marcelo Belinati (PP), Roberto Kanashiro (PSDB), Professor Rony Alves (PTB), Sandra Graça (PP), Tito Valle (PMDB).
O líder do prefeito na Câmara, vereador Jairo Tamura (PSB), não concordou com o requerimento aprovado pelos colegas. ''Queríamos votar hoje, mesmo sem o vereador Eloir, porque já tivemos várias votações importantes na Casa sem outros vereadores. Não entendemos o porque desse requerimento em uma votação dessa importância.'' O vereador desconversou quando questionado se o voto de Eloir estava sendo contado na base. ''Cada vereador é livre para votar como quiser. Essa é uma pergunta que deve ser feita para ele'', finalizou.
No final da tarde, o presidente da Casa, Gerson Araújo, leu uma carta da assessoria de Eloir ratificando que ele estava em Brasília, ''numa convenção que tem por principal escopo a discussão dos salários e benefícios dos professores da rede pública''. A leitura da carta gerou novas discussões entre os vereadores. Padre Roque (PR), por exemplo, alegou que ''a assessoria deveria ter passado essa informação no início da tarde para evitar toda a discussão iniciada na Casa''.

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