Curitiba - Os deputados estaduais decidiram inovar e aprovaram, na última quarta-feira, requerimento do vice-líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), determinando quebra de interstício – período entre uma sessão e outra, de 24 horas. Com isso, a sessão ordinária que deveria ter ocorrido ontem foi realizada de última hora anteontem, logo após a sessão normal.
É a primeira vez que isso ocorre na história recente da Casa. O comum é a realização de sessão extraordinária, pela qual cada deputado estadual presente recebe R$ 400,00 além do salário mensal (R$ 4,5 mil).
A antecipação da sessão que deveria ocorrer ontem abre precedentes para os deputados enforcarem as sessões de quinta-feira. E tem objetivos políticos. De olho nas eleições de 6 de outubro, a maioria dos deputados que concorre à reeleição tem interesse em percorrer o Interior do Estado pedindo votos.
Informalmente isso já ocorre há semanas. Os parlamentares praticamente não têm frequentado o plenário depois das quartas-feiras, quando retornam para suas bases eleitorais.
Apesar de polêmica, a decisão dos deputados estaduais tem respaldo legal. O Regimento Interno da Assembléia Legislativa permite a realização de duas sessões ordinárias no mesmo dia, desde que seja aprovada a quebra de interstício.
A oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) tem reclamado da contumaz ausência da base aliada em plenário. Os governistas só comparecem quando a matéria é de maior relevância – após serem convocados pela liderança do governo na Casa.
Para deliberação, é necessário a presença de pelo menos 28 deputados em plenário. Apenas para abrir uma sessão legislativa, o quórum mínimo exigidoi é de 18 deputados – um terço dos 54 deputados da Assembléia.

mockup