Uma manobra da liderança do governo derrubou a sessão plenária de ontem da Assembléia Legislativa, por falta de quórum, impedindo a votação do requerimento de aliados que querem a destituição do presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel),Ingo Hubert. Também deixaram de ser votados outros requerimentos contrários aos interesses do Palácio Iguaçu: um de autoria do deputado Nereu Moura (PMDB), convocando o secretário de Segurança, José Tavares, para dar explicações sobre o novo estatuto da Polícia Civil; e o regime de urgência que seria proposto hoje na tramitação do projeto de resolução do deputado Tony Garcia (PPB) para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Copel.
A bancada de oposição ficou irritada com a estratégia que garante ao líder do governo, Durval Amaral (PFL), mais quatro dias para negociar a votação dos assuntos. Ele admitiu que precisou lançar mão de instrumento político para impedir as votações. O deputado tomou como base o artigo 88 do Regimento Interno, que requer a presença de um terço dos deputados para a abertura da sessão. Na verificação de quórum, apenas quatro parlamentares estavam presentes. Entretanto, essa checagem de presença nem sempre é feita. Durval afirmou que está vivendo de ‘‘gotas de oxigênio’’, referindo-se à rebeldia da base aliada.
Os mesmos deputados da base de sustentação que querem a demissão de Hubert decidiram que vão pedir, na segunda-feira, a desconvocação do também secretário da Fazenda. ‘‘O Ingo Hubert não precisa mais vir, não queremos ouví-lo porque ele não vai nos convencer’’, disparou Tony Garcia. Hubert está convocado para explicar na próxima terça-feira como e porquê o governo vai vender a companhia.
O líder da oposição, Waldir Pugliesi (PMDB), acredita que já tem a maioria dos votos para conseguir revogar a lei 12.355/98, que autoriza o governo a vender a Copel. Orlando Pessuti (PMDB) calcula o apoio de quase 30 deputados. Levantamento feito pela Folha revelou que 28 se posicionam contra, 19 estão indefinidos e sete a favor da venda da Copel. A oposição cogita a possibilidade de pedir regime de urgência no projeto que revoga a lei, mas ainda avalia o momento mais favorável para não correr o risco de o projeto ir a plenário e ser derrubado.
Durval Amaral disse que vai tentar convencer os deputados de que o pedido de demissão de Hubert é ‘‘inoportuno’’, além de tentar barrar a instalação da CPI da Copel. ‘‘Ele (Hubert) é uma pessoa tecnicamente preparada e que tem desempenhado seu papel com competência’’, afirmou, rebatendo os argumentos dos aliados – que consideram errado Hubert acumular a pasta da Fazenda e a presidência da Copel. Além do não cumprimento de obras e convênios, os deputados estão descontentes com a pouca atenção que recebem de Hubert. Já o ex-secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, tinha bom trânsito no Legislativo.
O líder do governo havia pedido, no mês passado, uma ‘‘trégua’’ aos aliados, que insistiam em derrubar, em bloco, diversos vetos do governador. A situação ficou mais calma durante algumas semanas, mas o problema ainda não foi resolvido. ‘‘Todos estão de olho nas eleições do próximo ano’’, comentou Durval Amaral.
Ele admite que não pode controlar sozinho a rebeldia dos aliados e que a cúpula do Palácio Iguaçu terá que participar mais efetivamente das negociações. O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, disse que o problema não é de hoje e que está negociando ‘‘dia e noite’’. Alceni acredita que a crise vai ‘‘desanuviar’’ somente em setembro ou outubro. ‘‘O desgaste não é só do governo, é deles também’’, provocou o secretário.

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