Uma manobra de última hora adiou para o início do ano que vem a discussão sobre o projeto de lei que, desde 2005, debate na Câmara de Vereadores de Londrina a regulamentação do horário de funcionamento de bares e estabelecimentos congêneres. Conhecida como ''lei seca'', a matéria assinada pelos vereadores Gláudio Lima (PT), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Paulo Arildo (PSDB) recebeu uma emenda de Flávio Vedoato (PSC) que derrubava o principal dos 14 artigos da proposta - justamente o que estabelecia a faixa das 6 à 23 horas de atividade.
O segundo turno de votação aconteceria ontem - durante a última sessão do ano legislativo -, dia em que o assunto rendeu debates acalorados no Plenário entre os próprios vereadores. A discussão foi acompanhada ainda por vaias ou aplausos de representantes dos estabelecimentos e do setor de Cultura, para o qual a idéia é ''elitista''. A referência é à obrigação de fechar às 23 horas bares e uisquerias, conforme a matéria, que não tenham alvará para cozinha - caso de restaurantes, prizzarias e lanchonetes. A estes, porém, o projeto estabelecia exigências como quantidade mínima de dois garçons registrados, licença da Vigilância Sanitária e autorização para atuar por parte do Corpo de Bombeiros.
O adiamento foi bastante comemorado pelo grupo da Cultura - entre os quais, funcionários comissionados da administração - e pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), cujo lobby vinha sendo feito, nos bastidores ou no Plenário, pela não-aprovação do projeto de lei. Desde o mês passado, a regional da entidade em Londrina conseguiu até que a Câmara incorporasse 10 das 12 sugestões que ela apresentara, como a necessidade de um percentual mínimo de seguranças e a exigência de estacionamento. O maior óbice - a faixa de horário das 6 às 23h -, contudo, permaneceu.
''Foi uma vitória nossa e de quem nos apoiou, pois sempre fomos, e sempre seremos contrários a esse projeto'', disse o presidente da Abrasel, Arnaldo Falanca. Quem comemorou também foi o artista plástico Kennedy Piau, um dos que assinaram um ''manifesto cultural'' contra o projeto. ''O quarto substitutivo (apresentado ontem) chegou só agora; adiar a votação possibilita discutir um pouco mais a idéia.''
Sobre as sete audiências públicas já realizadas, o autor da emenda que gerou o adiamento - uma vez que o único membro da cmissão de Justiça que poderia emitir parecer, Renato Araújo (PP), preferiu não fazê-lo verbalmente - admitiu nunca ter participado delas. ''Porque foram muito direcionadas pelos autores, inclusive pelos locais definidos'', alegou Vedoato, que defende que a lei prejudicaria comerciantes familiares. ''E (votar a favor) seria até incoerente com o que pratico'', afirmara, um pouco antes, em Plenário.
Para um dos autores, adiar ''frustra três anos de debate denmocrático''. ''E creio que o vereador (Vedoato) foi infeliz ao classificar assim as audiências; compareceu quem quis, a favor ou não'', defendeu Gláudio. A Câmara volta do recesso em 4 de fevereiro.

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