Manifesto do PDT contra cassação acaba em confusão
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Paula Barbosa Ocanha <br> <br> Reportagem Local 
O manifesto feito por representantes do diretório do PDT para apoiar o prefeito Barbosa Neto (PDT) foi considerado irregular pela Justiça Eleitoral, que determinou no final da tarde a retirada imediata da barraca montada na manhã de ontem. Barbosa enfrenta na segunda-feira uma sessão de julgamento no Legislativo que pode resultar na cassação do seu mandato. A manifestação ocorreu no Jardim do Centro Cívico de Londrina, local onde estão localizados os prédios da prefeitura, da Câmara de Vereadores e da Justiça, e onde já havia mobilização de integrantes do chamado movimento popular contra a corrupção Por Amor a Londrina.
A denúncia foi feita pelo Ministério Público (MP) no início da tarde porque os defensores do chefe do Executivo usavam auto-falante e bandeiras do PDT a menos de 200 metros de distância dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o que é vetado pela legislação eleitoral e por uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A alegação era que o partido estava fazendo ''propaganda eleitoral irregular''. O processo tinha fotos dos representantes do PDT no jardim, entregando materiais sobre o prefeito e falando ao microfone.
O MP pediu ''a suspensão imediata da utilização dos aparelhos sonoros'', e o juiz da 157 Zona Eleitoral de Londrina, Paulo Cesar Roldão, entendeu que ''é evidente a propaganda eleitoral que está sendo veiculada pelo PDT''. No despacho, o juiz determinou a retirada em duas horas da barraca e das bandeiras, sob pena de apreensão dos objetos pela Polícia Federal.
Um dos representantes do PDT, do diretório de Curitiba, Nivaldo Orlandi, disse que a legenda deveria obedecer a determinação do juiz, mas que não concordava com a decisão do magistrado. ''Se o juiz visse o que fizemos aqui ele ia entender que não tem nada de eleitoral. Estamos defendendo o prefeito de uma injustiça. E os inimigos do prefeito estão fazendo campanha irregular contra ele faz muito tempo'', defendeu.
Tensão
A tarde de ontem no Centro Cívico foi agitada. Alguns representantes do movimento popular contra a corrupção Por Amor a Londrina estavam no segundo dia de ''acampamento'' no local, pedindo a cassação do prefeito por conta da irregularidade apontada pela Comissão Processante da Centronic - que considerou procedente a denúncia de que dois vigias sendo pagos com verba pública teriam trabalhado na rádio da família do prefeito.
O diretório do PDT, então, também montou um ''acampamento'', como forma de apoio ao chefe do Executivo, e pretendiam ficar ali até segunda-feira - antes da determinação do juiz de retirada da barraca do local.
No meio da tarde, houve discussão entre representantes do movimento que apoia a cassação do prefeito e o pedetista Nivaldo Orlandi. A discussão começou após o representante do PDT ter falado no microfone que o movimento popular tinha interesses políticos, e não tinha nenhuma prova contra o chefe do Executivo, ''somente palavras''. Vaias vieram do outro lado, e um dos representantes foi bater boca com o orador.
O representante do movimento popular, Fernando Alfradique Scanferla, afirmou que seu grupo mudaria de tática. ''Não vamos mais ficar acampados aqui. Ficaremos até hoje (ontem) à tarde, depois voltaremos amanhã para pegarmos a senha da sessão e faremos o abaixo-assinado no sábado'', disse ele. ''Não estamos aqui para brigar. Estamos defendendo nosso ponto de vista. Queremos fazer isso em paz'', finalizou.
Quem quiser acompanhar a sessão de julgamento na segunda-feira poderá pegar uma senha das 14 às 16 horas de hoje em frente à Câmara Municipal. Serão distribuídas 180 senhas, sendo 90 para pessoas favoráveis à cassação e 90 para os contrários. É necessário levar RG original.


