Manifestantes 'se acorrentam' na Câmara de Campo Magro
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O prefeito de Campo Magro (município da Região Metropolitana de Curitiba), José Antonio Pase (PMN), terá 20% do orçamento de 2012 para utilizar da forma que quiser. Isso quer dizer que perto de R$ 10 milhões poderão ser destinados a qualquer área que o prefeito desejar, sem precisar receber o aval da Câmara de Vereadores. Essa decisão, além da liberação de R$ 1,4 milhão de crédito extra à prefeitura, sem destinação clara especificada, provocou um protesto pacífico durante sessão na Câmara de Vereadores, na última terça-feira.
Dois empresários da cidade ficaram acorrentados junto a uma coluna, para simbolizar a ''escravidão política de seu povo'', conforme eles mesmos designaram, e criticar as liberações de verbas pedidas pelo prefeito e que seriam concedidas sem questionamentos e com pouca análise pelos vereadores. ''A corrupta administração pública determina tendenciosamente o destino do dinheiro público'', dizia trecho do panfleto que circulava pelo local.
Pase defendeu o percentual de livre utilização previsto para o orçamento de 2012. ''O meu é só para o ano que vem, e o que a (presidente) Dilma fez com a DRU (Desvinculação de Receitas da União)?'', comparou. Segundo Pase, o dinheiro será utilizado para situações de emergência e que necessitem de recursos com rapidez. ''Cada vez que surge alguma coisa tem que enviar e negociar com a Câmara, os vereadores querem negociar cargos, é desgastante. Mas tudo será feito por decreto, não é coisa louca'', completou o prefeito. Questionado sobre qual a possível destinação dos recursos, Pase cogitou que pode ser utilizado em situações como enchentes ou para a construção de uma nova creche. ''Na hora certa, lá na frente, a gente vai saber'', respondeu.
Os problemas envolvendo o prefeito de Campo Magro e esse grupo contrário à administração já duram alguns meses. No início de setembro, uma sessão da Câmara, que teve duração de mais de dez horas, decidiu pela cassação do mandato de Pase, acusado de corrupção, locação irregular de veículos e contratação de funcionários fantasmas. Na mesma semana, entretanto, Pase obteve uma liminar na Justiça anulando a decisão dos parlamentares. ''De todas as acusações, nada foi comprovado'', desafia o prefeito.


