Brasília - Uma manifestação contra a reforma da Previdência, ontem em Brasília, que durou quatro horas e reuniu servidores públicos, militantes do PSTU, punks e universitários resultou em depredação do Congresso Nacional com 52 vidros quebrados e sete pessoas feridas - cinco seguranças da Câmara e dois manifestantes. A Polícia Militar avaliou em 50 mil pessoas, os organizadores em 80 mil. A diretoria da Câmara estimou em R$ 20 mil os prejuízos e vai responsabilizar criminalmente os manifestantes identificados que destruíram os vidros do Congresso com chutes, pauladas e pedradas.
Os manifestantes que vieram de várias regiões do país se concentraram às 9h da manhã na Catedral e iniciaram a marcha por volta das 10h20 até o Congresso Nacional. Depois de uma série de discursos na Praça dos Três Poderes, um grupo de servidores destruiu grades de proteção e subiu na cúpula do Congresso. Eles passaram cerca de 20 minutos em cima do prédio, cantando ''Aha, uhu, o Congresso é nosso'' e estenderam uma faixa: ''Lula está jogando a Previdência pública na privada''.
Ao descerem da cúpula, optaram pela rampa que dá acesso à entrada principal do Congresso. Como o local estava sendo vigiado apenas por seguranças da Casa, eles forçaram a passagem, chegaram a derrubar um dos agentes de cima da rampa e partiram em correria na direção do prédio. Começou, então, a quebradeira dos vidros da fachada principal do Congresso. Os servidores carregaram durante o protesto três caixões para um enterro simbólico de Lula, e dos ministros José Dirceu (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Previdência) e Luiz Gushiken (Comunicação).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, por meio de seu porta-voz, André Singer, uma nota condenando a tentativa de invasão e as depredações no Congresso Nacional. A nota diz que o ato é ''irresponsável'' e foi cometido por vândalos.
Cerca de 100 representantes do funcionalismo público de Cascavel foram para Brasília participar da manifestação que está sendo chamada de ''Marcha dos 100 mil''. Segundo o representante do comando de greve do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) de Cascavel, Moacir Lopes, a greve é a única arma que o funcionalismo público dispõe no momento contra a ameaça a seus direitos. (Colaborou Mariana Guerin, Equipe da Folha)

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