Manifestantes pedem saída de reitor
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sexta-feira, 01 de junho de 2001
Lino Ramos De Londrina 
Um grupo de estudantes e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizou uma manifestação ontem de manhã, no campus universitário. O ato foi contra a corrupção e também para pedir a renúncia do reitor Jackson Proença Testa. Os manifestantes chegaram a realizar o enterro simbólico do reitor.
O estopim do protesto foi a denúncia envolvendo o chefe de gabinete do reitor, Itaicy Mendonça. Na semana passada, ele foi acusado pelo apresentador de TV Márcio Mello (de Maringá), de ter recebido, em 1997, R$ 8 mil do ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira. O valor seria a devolução de parte de um contrato de publicidade superfaturado entre a UEL e a Rádio Nova Ingá, de propriedade de Pinga-Fogo.
Itaicy, que se afastou do cargo assim que a denúncia foi tornada pública, nega a acusação. O chefe de gabinete também afirma que não tem qualquer ligação com o furto de três computadores da reitoria, ocorrido na madrugada de domingo passado. Um dos equipamentos era usado por ele.
Os manifestantes iniciaram uma via sacra pelo campus por volta das 8 horas, chamando a comunidade universitária para o protesto. Às 11h30, o grupo chegou à reitoria, depois de fazer muito barulho pelos corredores do bloco onde fica a Coordenadoria de Assuntos Financeiros (CAF). Não faltaram discursos contra Testa e Itaicy. Um caixão preto e diversas cruzes foram colocadas em frente à reitoria.
Durante o protesto também houve a reivindicação das perdas salariais dos servidores, calculada pelo Comitê em Defesa do Ensino Superior Público no Paraná em 50,03%. Alguns servidores saíram dos locais de trabalho para ver o ato. Durante 19 anos de trabalho nunca vi um movimento contra a reitoria. A gente está escandalizado. É impossível que a imprensa esteja inventando, alguma coisa tem, afirmou o funcionário Roque Caldeira da Silva, de 64 anos.
Segundo o professor do departamento de Artes, Kennedy Piau, a manifestação também foi contra o sucateamento de laboratórios e uma crítica à cobrança exagerada de taxas no interior da UEL. Vários serviços que antes eram prestados pela universidade sem taxa passaram a ser cobrados, com isso o Governo não repassa o dinheiro e a UEL cobra dos estudantes, comentou.
Piau disse ainda que a reitoria não pode deixar pairar nenhuma dúvida sobre as denúncias. A universidade é um patrimônio da cidade e do Paraná, e não pode ser maculada, não podem pairar dúvidas sobre as investigações, comentou.
Para o coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Rubens Goulart, é importante que as denúncias sejam apuradas. É preciso explicar muita coisa dentro da universidade: onde estão os computadores, onde está sendo aplicado o dinheiro público, como estão os cargos comissionados, criticou.
As manifestações continuaram ontem à tarde, com uma assembléia no campus. Os protestos seriam encerrados somente à noite, com uma festa em frente ao Restaurante Universitário (RU). A Folha procurou a assessoria de imprensa da UEL, mas não conseguiu falar com o reitor. (Leia mais sobre o protesto em Folha Cidades)


