Manifestantes ocupam praça
Lúcio Horta e
Silvana Leão
De Londrina
A entrega do requerimento que pede a abertura de uma comissão processante contra o prefeito Antonio Belinati transformou a paisagem da Praça dos Três Poderes, em Londrina. Cerca de 300 manifestantes pró-Belinati ocuparam a entrada principal do Poder Legislativo municiadas com faixas de apoio e equipamentos de percussão. Teve até batucada.
Em menor número, manifestantes que pedem o afastamento de Belinati também estiveram em frente ao prédio mas mantiveram distância. Em certo momento, alguém tentou levantar uma faixa preta, contra o prefeito, mas o material logo foi recolhido pelos adversários. Apesar do princípio de tumulto, não houve briga.
Quase a totalidade dos manifestantes pró-Belinati veio de bairros carentes da cidade em ônibus fretados. Um funcionário da prefeitura, que preferiu não se identificar, afirmou em telefonema à Folha, pela manhã, que os ônibus foram fretados pela própria prefeitura. Lideranças que participaram da manifestação negaram.
O presidente da Federação de Favelas, Núcleos e Assentamentos de Londrina, José Ricardo da Silva, alegou que a entidade pagou do próprio caixa R$ 850,00 para que a Transportes Coletivos Ltda (TIL) deslocasse 14 ônibus com os manifestantes pró até à Câmara. Para comprovar, ele apresentou uma nota fiscal. A informação foi confirmada pela empresa.
Eu paguei pessoalmente, assegurou. José Ricardo disse que está apoiando o prefeito porque as entidades de classe estão fazendo uso político das investigações. Não somos contra, mas queremos que tudo seja apurado dentro da lei. Em seguida, acrescentou: Se for uma Comissão Processante para investigar, a gente até é a favor.
Segundo a presidente das Associações de Moradores dos Jardins Montecristo e São Rafael, Luzia Madalena Moreira, somente do Montecristo (zona oeste) saíram três ônibus da TIL. Luzia Moreira enumerou 18 jardins e assentamentos que estariam participando do movimento: Vila Ricardo, Sérgio Antonio, São Rafael, Santa Mônica, Santa Inês, Cantinho do Céu, Quati, Marísia, Rosa Branca 1 e 2, Santa Fé, Montecristo, São Jorge, João Turquino, Maracanã, Campos Verdes, Londrivile e Conjunto das Flores.
A agitação maior se concentrava na rampa de acesso à porta principal do Legislativo. Cada vez que uma câmera de tevê apontava para os manifestantes, a gritaria era geral. Maria de Lourdes da Silva, 42 anos, que disse ser moradora do Jardim Santo André, era uma das mais exaltadas. Querem tirar o prefeito mas que pode tirar é o povo. Isso é marcação, gritava, com uma foto de Belinati nas mãos.
Mas nem todos que foram até à Câmara sabiam o motivo do protesto. Para falar a verdade, não sei bem o que está acontecendo. Quem me pediu para ficar foi gente do Belinati, que mora lá no nosso assentamento, disse Francisco de Godoy, 53 anos, pedreiro desempregado. Ele era um dos que estavam segurando uma das faixas, serviço pelo qual garantiu não receber nada. Na verdade, eu só vim para saber o que estava acontecendo. Não sei o que está sendo votado.





