Curitiba – Acampados no plenário da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná desde às 18 horas de de anteontem, educadores, estudantes e integrantes de movimentos sociais se dividem para dar conta das tarefas relativas à mobilização. Segundo o professor Odair Rodrigues, de Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a APP-Sindicato montou três comissões – de limpeza, segurança e alimentação -, com o objetivo de garantir que as ações ocorram de forma ordeira. A princípio, a orientação era não arredar o pé do local, a menos que o governador Beto Richa (PSDB) decidisse rever o "pacote de maldades".
A todo momento, colchonetes, travesseiros, cobertores e mantimentos contendo água e comida chegavam ontem à AL. Barracas foram montadas no espaço em frente ao Comitê de Imprensa e no lado de fora do prédio. Conforme Rodrigues, pelo menos mil pessoas permaneciam na Casa. A rotatividade, contudo, era grande. "Essa é uma ocupação legítima, contra projetos que ameaçam o futuro de todos os servidores públicos do Paraná", opinou. Ele também disse que, até a tarde de quarta-feira, a relação com a Polícia Militar (PM) tinha sido "tranquila". Líder do PMDB, o deputado Nereu Moura havia reclamado do fato de policiais estarem fortemente armados.
Pelo menos sete dos vários ônibus que cercavam a AL eram provenientes de Londrina. De acordo com o professor Arnaldo Vicente, diretor estadual da APP e docente do Instituto de Educação, mais de 300 manifestantes vieram da cidade. "Mas outras 15 pessoas viajaram com os próprios carros. Então, esse número pode ser maior", contou. "Agora, estamos discutindo a renovação. Algumas estão indo embora hoje (ontem) e outras chegarão."
Vicente explicou que a APP providenciou crachás, para identificar todos os manifestantes. Ele afirmou que os estragos na grade e nas portas de vidro, verificados no momento da ocupação, são "justificáveis", no entanto, a intenção era evitar outros danos ao patrimônio. Os grevistas não planejam novas ações para impedir a votação do "pacotaço". Em caso de aval dos parlamentares, a ideia é adotar "medidas jurídicas e políticas", pedindo a revogação das propostas. (M.F.R.)

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