Dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal e cerca de 100 pessoas lincharam, ontem, um boneco gigante - com 12 metros de altura - simbolizando o presidente Fernando Henrique Cardoso. A Defesa Civil proibiu a queima do gigantesco judas, temendo que o ato provocasse acidentes. Por isso a CUT decidiu encerrar a malhação com um enforcamento e jogando lama na cara do boneco.
Mas os manifestantes queimaram os bonecos dos ministros das Comunicações (Sérgio Motta), de Política Fundiária (Raul Jungmann), da Administração (Bresser Pereira), além dos presidentes da Câmara (Michel Temer), do Senado (Antônio Carlos Magalhães) e dos deputados Inocêncio de Oliveira e Sérgio Naya.
Para criar o judas do presidente da República, a CUT trouxe de Belém o bonequeiro Paulo de Tarso, que usou 12 metros cúbicos de isopor, 15 metros de tela, 150 metros de cordas, 20 metros de cabos de aço, além de 1 tonelada de barro, para moldar o rosto do presidente. O superjudas custou à CUT R$ 12,8 mil. O dinheiro foi arrecadado entre os sindicatos filiados à central. A CUT vai tentar incluir o boneco no Guiness, livro que registra os recordes mundiais.
No Rio de Janeiro, bonecos representando FHC, o governador Marcello Alencar, o prefeito Luiz Paulo Conde e o deputado federal Sérgio Naya foram pendurados em diversos pontos da cidade, seguindo a tradição do Sábado de Aleluia. FHC foi chamado de X-9 (informante policial, traidor) no judas colocado em um poste na região central do Rio.
Alencar, seu companheiro de PSDB, foi representado por outro boneco. No ‘‘testamento’’ (segundo a tradição, texto que acompanha o boneco, com seus ‘‘pecados’’), a reclamação: ‘‘Marcello Alencar, a educação no Rio está uma vergonha’’. Professores estaduais estão em greve há 40 dias, exigindo aumento de salário. O governo do Estado afirma que só abrirá negociações depois que as aulas forem retomadas.
Luiz Paulo Conde (PFL) também não escapou da sátira. Um boneco representando o prefeito foi colocado na calçada da praia de Botafogo, zona sul. Uma máscara carnavalesca, reproduzindo o rosto de Conde, adornava o judas. O deputado Sérgio Naya (sem partido-MG), dono da Construtora Sersan, virou judas na Barra da Tijuca, com um boneco próximo ao condomínio Palace, construído pela empresa. Ali, o bloco 2, após cair parcialmente em 22 de fevereiro, foi implodido.

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