Manifestantes lembram 9 anos do massacre no Pará
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domingo, 17 de abril de 2005
Das agências 
São Paulo - Agricultores sem-terra do Pará fizeram ontem duas manifestações para lembrar os nove anos do massacre de Eldorado dos Carajás, que resultou na morte de 19 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em 1996. Na época, além dos mortos, 65 pessoas ficaram feridas em um conflito com a Polícia Militar durante o bloqueio de uma rodovia no sul do Estado.
Tudo começou quando cerca de 1.100 trabalhadores rurais fecharam a estrada PA-150. Eles protestavam em favor da desapropriação da fazenda Macaxeira. Para reprimir os manifestantes, o então governador do estado, Almir Gabriel, ordenou uma ação da tropa da Polícia Militar do estado. No conflito, 19 sem-terra foram mortos e outros 69 ficaram feridos. Os laudos da perícia judicial mostraram que os trabalhadores foram executados com tiros à queima-roupa.
Em Belém, os agricultores fizeram uma caminhada pela região central. Segundo lideranças do MST, cerca de 700 pessoas participaram da ação que teve também um ato ecumênico. Na avaliação da Polícia Militar, estavam presentes entre 80 e 100 pessoas.
O MST havia programado também para ontem à tarde uma manifestação na chamada curva do ''S'', na rodovia PA-150, local onde ocorreu o massacre. ''A curva do ''S'' é um memorial vivo do que ocorreu. É preciso manter vivo o massacre e os problemas de violência no campo que ainda ocorrem no interior do Estado'', disse Nonato Souza, da coordenação do MST no Pará.
Dos envolvidos no massacre, apenas o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira estão presos, com sentenças de 228 anos e 154anos, respectivamente. Outros 142 policiais que participaram da ação do dia 16 de abril continuam em liberdade.
Dados do MST indicam que duas pessoas feridas durante o massacre morreram por sequelas dos ferimentos que sofreram. Do total de feridos, somente 20 são atendidos por pensões do estado.


