Manifestantes lavam calçada para protestar contra Câmara
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - Um grupo de 30 pessoas da União Moradia Popular, lavaram ontem parte da calçada da Câmara de Vereadores de Maringá, para protestar contra a não instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). Os manifestantes alegam apatia do Legislativo que está diante de denúncias de corrupção envolvendo o presidente da Casa, João ''Jonh'' Alves Correa (PMDB) e o vereador Divanir Moreno (PST) e pedem a abertura de uma CEI.
Os dois vereadores foram denunciados em ação penal pelo Ministério Público porque teriam recebido R$ 150 mil para revogar uma lei municipal que tombava um prédio histórico do centro da cidade. O imóvel foi adquirido por uma loteadora para se transformado em um shopping. Na ação, a promotoria insiste no pedido de prisão preventiva dos dois vereadores. Na semana passada, os 21 vereadores foram chamados pelo MP para falar sobre outras denúncias relatadas em duas cartas entregues na promotoria. O teor não foi divulgado pelo MP, mas segundo os próprios vereadores, trata de contratações de parentes, propinas de empresas e irregularidades administrativas da Câmara.
O presidente do Legislativo, vereador Jonh, classificou ontem de ''idiota'' as acusações do MP e de ''imbecis'' os integrantes do movimento que lavaram a Câmara. Depois que o grupo foi embora, Jonh enxagou a calçada porque os manifestantes deixaram o local com muita espuma, pois não tinham água suficiente para terminar o serviço. Jonh estava nervoso porque as denúncias, segundo ele, são infundadas e prejudicam a imagem a Casa.
Durante o protesto, nenhum vereador esteve presente e as faixas carregadas pelos manifestantes exibiam frases do tipo: ''A Câmara não pode ser um balcão de negócios''. Também até ontem, nenhum dos 21 vereadores havia anunciado a proposta de uma CEI e na última sessão realizada pela Câmara, a maioria se solidarizou com o presidente do Legislativo.
Esta é a segunda vez que a Câmara de Maringá passa por uma lavagem simbólica. No final de 2000, no auge das denúncias do esquema envolvendo o ex-prefeito Jairo Gianoto e o ex-secretário Luiz Antonio Paolicchi, acusados pelo desvio de R$ 100 milhões, um grupo também protestou pelo fato da Câmara nunca ter contestado as contas municipais e muito menos aberto uma comissão para investigar os desvios.


