Manifestantes invadem AL e rasgam ordem do dia
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terça-feira, 06 de dezembro de 2011
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha
Curitiba - Centenas de manifestantes - entre servidores da saúde, da educação e representantes de movimentos estudantis - voltaram a lotar as galerias da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná ontem para tentar travar a votação do projeto de lei que institui as Organizações Sociais (OSs) no Estado. No meio da sessão, quando a votação dos projetos começaria, uma parcela desse grupo invadiu o plenário. Eles exigiam a retirada do projeto da pauta até que a matéria fosse discutida com profundidade com os movimentos sociais. Os manifestantes foram retirados do local perto das 21 horas, quando os deputados retomaram a discussão do projeto. Até o fechamento desta edição, a votação da proposta - em primeiro turno - ainda não tinha ocorrido. Para ser aprovado, um projeto de lei precisa passar por três turnos de votação.
Com gritos de guerra incessantes e muito tumulto, a sessão plenária foi suspensa pela primeira vez perto das 15h45, ficando interrompida por aproximadamente 15 minutos. Pouco depois, durante discurso do deputado Elio Rusch (DEM), o parlamentar começou a ser vaiado e, como os gritos de guerra estavam muito altos, ele parou de fazer seu pronunciamento. A partir desse momento, o movimento tomou força e os gritos eram de ''vergonha, vergonha, governo sem vergonha''; ''não, não, não à privatização''; e ''Rossoni, eu não me engano, privatizar é coisa de tucano''.
Diante dessa situação, o presidente da AL, deputado Valdir Rossoni (PSDB), avisou que não teria condições de continuar a sessão, que voltou a ser suspensa, enquanto os parlamentares aguardavam os manifestantes se acalmarem. Eles começaram a cantar o hino nacional e invadiram o plenário. Alguns chegaram a rasgar a ordem do dia e documentos que estavam na mesa dos deputados e um deles jogou os papéis contra o deputado Stephanes Júnior (PMDB).
Instalado o impasse, os deputados ficaram paralisados. Próximo das 19 horas, os manifestantes resolveram que só desocupariam o plenário depois da garantia da liderança do governo e da presidência da Casa de que o projeto seria retirado de pauta. Sem avançar em um possível acordo entre deputados e manifestantes, às 21 horas a Mesa Executiva da AL definiu que iria votar o projeto de qualquer jeito e transferiu a sessão plenária para o plenarinho da Casa, esvaziando o movimento no plenário. A segurança na porta do plenarinho foi reforçada por uma grande barreira de aproximadamente 50 policiais à paisana.
Entre os manifestantes estava o advogado e professor de Direito Administrativo Tarso Cabral Violin. ''Isso se chama privatização. Qualquer repasse de atividade de responsabilidade do governo para a iniciativa privada é privatização. Não é apenas a venda de uma estatal, por exemplo. Afinal, é a transferência de uma atividade fim do Estado, que burla o controle social'', argumentou.
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