Manifestantes fazem 'velório da corrupção'
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
Entoando canções com melodias fúnebres, integrantes do Movimento Popular de Combate à Corrupção Por Amor a Londrina fizeram ontem, no final da tarde, o ''velório da corrupção'', sepultando um caixão com os nomes do prefeito José Joaquim Ribeiro (sem partido) e do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). Foi mais um ato em favor da renúncia do prefeito, que admitiu ter recebido R$ 150 mil de propina.
Com túnicas pretas, segurando velas e uma cruz ''vestida'' com um uniforme escolar, os manifestantes deram a volta na praça do Centro Cívico, entraram na prefeitura e, pelos corredores, cantaram, de forma melodiosa: ''Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão...''. Subiram até o segundo andar, onde está o gabinete do prefeito.
O secretário de Defesa Social, major Raul Vidal, interveio, tentando impedir o prosseguimento da comitiva, mas acabou cedendo, impondo como limite a antessala do gabinete. Lá, sobre a mesa de centro, depositaram o caixão e fizeram rápidos discursos, o que chamou a atenção de muitos servidores que ainda estavam no prédio. ''Foi uma manifestação pacífica e não houve motivo para usar força policial'', comentou o secretário, que estava acompanhado de vários guardas municipais.
Questionado sobre eventual desconforto, por ter o representante máximo do município ''enterrado'' por corrupção, Vidal esquivou-se. ''Sou um técnico e não tenho ação política. Não cabe a mim julgar.'' Nelson Brandão, presidente da Codel, que presenciou o final do protesto, também foi econômico ao comentar a situação do ''chefe''. ''Meu cargo é técnico.''
Após o ato na antessala do gabinete, os manifestantes voltaram para a frente da prefeitura, onde estão há quase uma semana fazendo protestos diários. Realizou-se um culto ecumênico. ''O prefeito está demonstrando covardia, molecagem e egoísmo ao não renunciar'', afirmou em seu sermão o padre João Pires, da Paróquia Santa Mônica, após ler trechos da Bíblia sobre roubo e corrupção.


