O episódio da liberação dos jornais apreendidos, ontem à tarde, virou um fato político para a oposição. Um deputado federal (Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, do PT), três estaduais (Ângelo Vanhoni, do PT; Tony Garcia, do PPB e Algaci Túlio, do PTB) e três vereadores curitibanos (Paulo Salamuni, do PMDB; Jorge Samek e Natálio Stica, ambos do PT), além de sindicalistas ligados à CUT, ocuparam o pátio da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas.
Os parlamentares acompanharam a jornalista e seu advogado no encontro com o delegado Armando Marques Garcia. Os sindicalistas –cerca de 40– permaneceram no pátio, com faixas pretas e adesivos simbolizando mordaças cobrindo a boca. Quando os jornais foram liberados, ajudaram a carregá-los numa caminhonete.
‘‘Foi restabelecido o Estado democrático’’, disse Léa Okseanberg, chorando, ao deixar o prédio. A jornalista, de 49 anos, disse acreditar que o governo do Estado tenha descoberto que o material estava chegando de São Paulo, onde foi impresso, por meio de grampo telefônico.
Tony Garcia, presidente da CPI dos Grampos na Assembléia, que apura a suspeita de envolvimento do governo com escuta clandestina, anunciou que a comissão vai investigar essa informação. Anteontem, a jornalista depôs à CPI.
Ontem pela manhã, integrantes do Fórum de Luta por Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania fizeram uma manifestação na Boca Maldita, Centro de Curitiba, contra a apreensão dos jornais. (Valmir Denardin e Emerson Cervi)

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