Manifestantes bloqueiam acesso a obras da Usina Baixo Iguaçu
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
José Lazaro Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Terminou sem avanço, ontem, uma reunião entre a empresa Neoenergia e os manifestantes que bloqueiam as estradas rurais que dão acesso ao canteiro de obras da Usina Baixo Iguaçu. Orçada em R$ 1,6 bilhão, o empreendimento vai desalojar 359 famílias no Sudoeste, que reclamam do valor da desapropriação. Desde quarta-feira dois grupos fecham vias em Capitão Leonidas Marques e Capanema, para impedir que o maquinário da construção chegue até a obra.
A reunião foi realizada a portas fechadas na Prefeitura de Capitão Leônidas Marques, a pedido da Neoenergia. A FOLHA apurou que cinco prefeitos da região acompanharam a conversa, além de assessores dos deputados estaduais André Bueno e Nelson Luersen, do PDT. O representante da empresa disse que não tinha autoridade para negociar diretamente com as famílias desalojadas e que o preço a ser pago será determinado pela Justiça Estadual.
"O valor que a Neoenergia quer pagar é três vezes menor que o preço de mercado. Nós vamos dar três alqueires e comprar um. Se eles não podem pagar, então não deviam construir uma usina", disse para a FOLHA o presidente da Associação dos Atingidos da Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu (Adahabi), Plínio Primo. Ele confirmou que a empresa ofereceu R$ 40 mil, em média, por alqueire. "No nosso estudo, o alqueire vale dois mil sacos de soja, cerca de R$ 120 mil", disse Primo.
Em maio, quando os deputados estaduais deram o aval para a construção da Usina do Baixo Iguaçu, foi montada uma comissão de políticos da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná para mediar a negociação. Integraram esse grupo, além dos pedetistas, Valdir Rossoni e Ademar Traiano, do PSDB, Caíto Quintana e Nereu Moura, do PMDB, e o Professor Lemos (PT). Primo diz que os políticos foram avisados que o bloqueio das rodovias aconteceria no dia 14, "mas a empresa antecipou a chegada dos caminhões e tivemos que agir".
A reportagem tentou contato com a Neoenergia e uma consultoria contratada por ela, mas nenhuma retornou as ligações. Os manifestantes disseram que não vão desocupar as estradas rurais enquanto não mudar o valor a ser pago nas desapropriações. Entre os deputados, Luersen assume que a intervenção dos políticos é limitada, "pois quando aprovamos a construção na AL perdemos nossa única arma na negociação".
Pela internet, Caíto Quintana incentivava a manifestação dos membros da Adahabi. Ele diz não entender por que a empresa que está construindo Baixo Iguaçu está oferecendo baixos preços pelas terras. "Numa obra de mais de R$ 2 bilhões é como fazer um banquete e economizar no cafezinho", comparou o deputado. A concessão para exploração do Rio Iguaçu é de 30 anos. Com a Usina de Baixo Iguaçu serão gerados 350 MW, suficientes para abastecer as residências de dois milhões de pessoas. A Copel tem 30% das ações do empreendimento.


