Manifestantes andaram 1.015 km
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de novembro de 2000
Agência Folha De Brasília 
A marcha pelo salário mínimo não havia conseguido nada de concreto em Brasília, depois de percorrer a pé 1.015 km. No início da noite de ontem, o presidente Fernando Henrique recebeu uma comissão de manifestantes. O ministro Dornelles afirmou que o governo federal deve ficar com a responsabilidade de corrigir o mínimo para reajustar aposentadorias e pensões, não com a definição do valor a ser pago a quem trabalha.
Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, retrucou: No Brasil tem lei que pega e que não pega. A do mínimo regional não pegou. Outro debate entre os dois foi sobre o pagamento dos saldos do FGTS resultante dos planos Collor 1 e Verão.
O ministro reafirmou aos sindicalistas a determinação do governo de não injetar recursos públicos no fundo, que é privado. A Força Sindical discorda. Diz que o governo foi quem mais tirou dinheiro do FGTS. A central foi entregar a Dornelles sua proposta para pagamento do saldo.
A marcha, promovida pela Força Sindical, saiu de São Paulo no último dia 23. Ontem, ela foi engrossada por manifestantes que viajaram de ônibus. Somados, eles chegavam a 450, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal. Parte deles acampou ontem em frente ao Ministério da Fazenda.
Pela manhã, os manifestantes saíram do acampamento na entrada de Brasília e caminharam até o Congresso Nacional. No caminho, ganharam reforço do PT. O senador Eduardo Suplicy (SP), de bermuda, camiseta e tênis, acompanhou a marcha por cerca de 5 km. Quando a marcha chegou ao Congresso, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), foi ao gramado e discursou no megafone da Força Sindical para apoiar o mínimo de R$ 180.
Pela primeira vez, o Congresso toma a dianteira dos fatos e começa a discutir, por meio da Comissão de Orçamento, as fórmulas capazes de alterar substancialmente o salário mínimo. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), recebeu Medeiros e o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Mas ACM não quis ir ao gramado. Ele prometeu a eles que o Orçamento da União não será votado até que seja encontrada uma fonte de financiamento para as despesas com a elevação do mínimo a R$ 180. Tanto Temer quanto ACM acenaram com a possibilidade de correção para R$ 159 em janeiro e R$ 180 em maio.


