Os onze vereadores que votaram favoravelmente ao projeto de lei que revoga a obrigatoriedade de realização de um plebiscito em caso de venda de ações da Sercomtel enfrentarão hoje a pressão popular na segunda e última discussão da matéria.
Funcionários da telefônica, representantes de sindicatos e de associações de bairros prometem lotar as galerias e fazer uma manifestação em frente à Câmara minutos antes do início da sessão, às 14 horas. ''O intuito é reverter a posição de terça-feira ou fazer com que retirem o projeto de pauta'', afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel), João Henrique Schmidt.
Ontem, mais de cem funcionários da Sercomtel se reuniram em uma praça ao lado da empresa para definir detalhes da mobilização. Uma van fará o transporte dos trabalhadores para a Câmara. ''Temos que mostrar a nossa força. A Sercomtel movimenta cerca de R$ 5 milhões por mês na cidade. Vamos mostrar para a sociedade como a Sercomtel é importante para o desenvolvimento da cidade'', afirmou o relações-públicas Adriano Maricato. ''A mobilização tem que começar pelos funcionários. Não se trata só de proteger, mas que as coisas sejam claras. Por que essa pressa? Por que não ver os balanços da empresa? Por que não fazem emendas que protegem a Fixa, já que com relação à Celular tem o plebiscito? Essa mobilização é mais para alertar a população. Quando venderam os 45% já foi atropelado. Se fosse às claras, se discutiria. Assim dá medo'', disse José Antonio Abate, funcionário da empresa há 30 anos.
Conforme Luiz Carlos Flávio, que trabalha na empresa há 20 anos, ainda está sendo estudada a possibilidade jurídica de pedir a anulação da primeira votação do projeto. Entre o protocolo da matéria e a votação passaram somente cinco dias. ''Judicialmente vamos aguardar a votação de amanhã (hoje). Existem argumentos jurídicos sólidos para a gente cancelar essa votação. Tem que haver uma discussão ampla com a sociedade. Defendemos a permanência do serviço com o município'', argumentou.
Os funcionários da empresa também deverão levar aos vereadores dados sobre a Sercomtel. ''A Sercomtel teve um faturamento em 2005 de R$ 300 milhões. Em 2000, o faturamento foi de R$ 180 milhões. Se o faturamento estivesse caindo seria preocupante. Não é porque a Celular deu prejuízo um ano que tem que vender. No ano passado, a Celular investiu muito no GSM. Além disso, todas as teles deram prejuízo'', relatou Flávio.
Ontem também foi iniciado um abaixo-assinado. ''Estamos pegando assinaturas para entrar com uma ação popular contra a venda da Sercomtel'', disse Schmidt.

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