Manifestações pedem saída de Irineu Colombo do IFPR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de março de 2014
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Grupos formados por professores, funcionários e alunos do Instituto Federal do Paraná (IFPR) realizaram ontem protestos em Curitiba, Londrina, Palmas e Umuarama contra a permanência do ex-deputado federal pelo PT Irineu Colombo no cargo de reitor. Mobilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica, Técnica e Tecnológica do Paraná (Sindiedutec), os manifestantes alegam que o mandato do petista se encerra no próximo dia 30 de abril e que as novas eleições já deveriam ter sido convocadas, pelo menos, 90 dias antes. Os atos suspenderam as aulas temporariamente ontem. As manifestações, segundo os organizadores em Curitiba, teriam reunido cerca de 600 pessoas.
De acordo com o presidente do sindicato, Nilton Brandão, Colombo assumiu a reitoria para encerrar o mandato iniciado pelo ex-reitor, Alípio Leal, depois que este deixou o cargo para assumir a Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Brandão disse que a regra está no decreto que regulamentou, em 2009, o processo de escolha dos dirigentes dos institutos federais. "Após a vacância, é feita nova eleição e o candidato eleito ocupa o cargo até o final do mandato do antecessor." Alípio iniciou o mandato em 2010, Colombo foi eleito em 2011 e em agosto do ano passado foi afastado judicialmente do cargo por cinco meses, depois que a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Sinapse, com a prisão de 18 pessoas, por suspeitas de desvios de R$ 6 milhões em convênios com Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips). A Operação Sinapse também resultou na saída de Alípio do governo do Paraná.
O atual reitor, diz o sindicato, anunciou a permanência no cargo tendo como base o decreto "equivocado" da União que nomeou Colombo para mandato de quatro anos, prazo que termina em junho do ano que vem. "Como foi concebido esse decreto, não sabemos. Deveríamos ter visto na época, mas infelizmente não vimos", lamentou Brandão. Além da divergência nas datas, o sindicalista acusa Colombo de promover "perseguição contra quem ele acha que é contra ele". "Mais de 20 servidores já denunciaram assédio moral."
Em Londrina, a mobilização ocorreu com paralisações momentâneas das aulas no campus do IFPR nos três períodos. Em sintonia com o movimento estadual, o grupo cobrou a saída de Colombo, além da implantação de eleições para a escolha de diretores-gerais nos câmpus do Estado. Segundo o representante local do sindicato, Diogo Olsen, "devido a tudo o que aconteceu, nós queremos desde já escolher democraticamente os ocupantes dos cargos de diretoria e isso já havia sido feito durante o período de intervenção, porém, depois que Colombo reassumiu, o diretor indicado por ele aqui mudou todos".
O diretor-geral do campus Londrina, professor Amir Limana, indicado por Colombo para o cargo, disse que "as regras não podem ser mudadas durante o campeonato e as regras dizem que as eleições devem ser feitas depois de cinco anos de criação e em Londrina estamos completando três anos". Quanto à saída de Colombo, conforme a reivindicação do sindicato, Limana apresentou parecer da Advocacia Geral da União (AGU), de 2011, que "não identificou base legal para mandatos inferiores a quatro anos". A reportagem procurou a reitoria do IFPR, mas não houve retorno até o fechamento da edição.


