Em Londrina, os apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) organizam uma nova carreata denominada "Grande carreata da vitória de Bolsonaro" no sábado (27), véspera do segundo turno. No mesmo dia, eleitores do candidato petista Fernando Haddad também devem voltar ao Calçadão na passeata "#Elenão, Haddad sim." A ideia é repetir as manifestações dos dois lados que marcaram o último fim de semana em Londrina e em outras regiões do País.

A manifestação pró-Bolsonaro terá como ponto de encontro às 14h30 a Rua Martiniano do Vale Filho (atrás do Shopping Boulevard) e segue para a Avenida Saul Elkind (zona norte), passa pela Higienópolis, Madre Leônia e termina no aterro do Lago Igapó. A manifestação é organizada pelos movimentos Direita Paraná, Patriotas Londrina e Nas Ruas Londrina e terá entrega de adesivos. No ato do último domingo, centenas de apoiadores do capitão reformado saíram em carreata desde a Avenida Santos Dumont (zona leste) até o centro da cidade, culminando com um grande ato no Calçadão.

A pedagoga Alessandra Aquino embarcou na onda de carreatas e passeatas pró-Bolsonaro e das bandeiras defendidas pelo deputado como o direito do porte de arma e o combate à discussão de gênero nas escolas. "Apoio o Bolsonaro porque ele fala a verdade, mas a gente se manifesta sem ir na onda das 'fake news'", diz. Alessandra alega que nunca gostou de política e não participou das manifestações de 2013 e a favor do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016. Entretanto, admite que se identifica com o discurso antipetista de Bolsonaro. "Haddad disse que vai subir a rampa com Lula, isso é um absurdo. Eles querem tomar o poder a qualquer custo."

A professora aposentada Maria Elena Silva também é adepta às manifestações em favor do Bolsonaro e enxerga como ato de mudança. "Somos contra a corrupção e os tentáculos que o PT instalou para se manter no poder. Foi muito dinheiro retirado das empresas públicas." Mas ela diz ver ressalvas nos discursos de Bolsonaro, embora afirme não acreditar que o potencial da oratória irá refletir no possível governo. "Não acredito que essas falas irão interferir em direitos das minorias. Do outro lado, também há um discurso que afronta as pautas mais conservadoras." Maria Elena diz que independente de quem vencer, o posicionamento do eleitor será de "fiscalizar".

SEM JOGAR A TOALHA
Os militantes de esquerda devem reforçar a frente democrática também neste fim de semana no Calçadão de Londrina. "Eu acho que dá tempo para uma virada democrática e não é hora de jogar a toalha", diz o psicólogo Willian Parra Machado, militante do PCO que apoia o candidato Fernando Haddad no segundo turno.

Machado elenca os prejuízos que enxerga com Bolsonaro no poder. "O que está em jogo são os movimentos das minorias: feminista, LGBT, negro", diz, ao lembrar frases do capitão da reserva que se posicionou contra o "ativismo". Outra preocupação é com suposta ameaça à democracia. "Nunca se viu algo assim. Alguém nas vésperas da eleição dizer que quer exterminar a oposição". Por último, Machado critica a pauta econômica do candidato do PSL. "São ideais que não vão favorecer os mais pobres. Enquanto o Haddad está propondo isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos." O militante ainda propõe que a manifestação não fique no #Elenão, mas sim numa campanha que possa visar a proposta concreta de eleger Haddad.

FRENTES IRRACIONAIS
Para o professor de Ética e Filosofia Política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Bianco Zalmora Garcia, nesta reta final a polarização tende a aumentar e abre espaço a "frentes irracionais" de apoiadores dos dois candidatos. "Não dá para fazer comparação alguma com outras eleições porque tem um conteúdo muito específico: a raivosidade. Chega ao nível de irracionalidade". Garcia também vê poucas chances desta movimentação nas ruas influenciar em mudança de rumo ou uma reviravolta nas urnas. "O eleitor perdeu a capacidade de crítica, tudo que se vê é em torno do senso comum generalizado", avalia.

Nas manifestações pró-Bolsonaro, Garcia considera preocupante as manifestações reacionárias e pedidos de intervenção militar. Entretanto, acredita que as mensagens que alertam para um suposto risco à democracia têm pouco apelo ao eleitor. "O discurso pró-democracia é muito abstrato". Por outro lado, faltando cinco dias para o segundo turno, o analista político acredita que há eleitores que podem ter um olhar de "ponderação" ao analisar os discursos dos candidatos à Presidência.

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