Bate-boca, discussões, brigas, gritos de palavras de ordem e discursos inflamados marcaram ontem a votação do projeto de iniciativa popular que impedia a venda da Copel. Logo no início da tarde, as galerias já estavam lotadas e o plenário tumultuado. O cenário de agitação indicava que a tarde em nada se assemelharia aos dias normais de trabalhos legislativos. A manifestação chegou a atrasar em quase meia hora o início dos trabalhos.
O que mais revoltou os manifestantes contrários à privatização da Copel foi a maciça ocupação de funcionários públicos orientados pelo governo a lotar metade dos espaços reservados para a população. Com senhas distribuídas antecipadamente, eles tiveram direito a 150 lugares. Os opositores também tiveram o mesmo número de vagas. Aproveitaram para estender faixas e cartazes que acusavam o governador Jaime Lerner (PFL) de entregar o melhor e maior ativo do Estado. ''Esse governo entreguista tem que saber que a população está contra a venda'', protestava o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, José Daniel Farias.
Satisfeitos com as galerias lotadas, os deputados da oposição ajudavam a tumultuar ainda mais o ambiente e por diversas vezes acenavam para os manifestantes pedindo mais participação. O deputado Orlando Pessuti (PMDB) saiu em defesa do público, que, devido ao excesso de segurança, estava impedido até mesmo de ir ao banheiro. ''Liberem as galerias para que as pessoas possam ir ao banheiro'', dizia o deputado, ao microfone.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), cansou de pedir silêncio e respeito. Sem sucesso, deixou que o tumulto tomasse conta. A cada discurso inflamado, os manifestantes aplaudiam ou vaiavam, fazendo um barulho ensurdecedor. O deputado Chico Noroeste (PFL), chegou a ser carregado no colo por manifestantes, após ele declarar mudança de posição e que votaria contra o governo.
Antes do início da sessão, houve um princípio de briga entre assessores de deputados da oposição, que estavam acomodados no lado esquerdo do plenário. Eles acusavam o deputado Valdir Rossoni (PTB) de infiltrar seus assessores para ocupar o espaço reservado da oposição. A segurança reforçada no plenário e também fora da assembléia não foi suficiente para fazer calar os manifestantes.

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