Manifestação ‘‘queima’’ a corrupção César AugustoFOGUEIRA NO CALÇADÃO Patrícia Zanin De Londrina Manifestantes colocaram fogo em dois bonecos cheios de dinheiro velho para representar fim da corrupção na administração Armados com vassouras, panfletos e palavras de ordem, cerca de 80 representantes do Movimento pela Moralidade Pública de Londrina fizeram ontem a limpeza simbólica do Calçadão e colocaram fogo em dois bonecos cheios de dinheiro velho, representando a queima da corrupção na cidade. Os manifestantes iniciaram a concentração na Concha Acústica, foram para o Calçadão da avenida Paraná, passaram pelo coreto e pelas ruas Sergipe, João Cândido, Benjamin Constant e Avenida São Paulo. O protesto acabou no Calçadão. Durante todo o trajeto, foram distribuídos folhetos com um resumo do escândalo AMA-Comurb. O panfleto começa com a informação: ‘‘R$ 16 milhões foram roubados do caixa da Prefeitura de Londrina’’. Esse é o valor do desvio apurado até agora pelo Ministério Público, mas as investigações da promotoria ainda não foram concluídas. A maior parte das pessoas recebeu bem o material e a mobilização. ‘‘Eu apóio a investigação. Tudo isso tem que ser levado mais a fundo. Só assim a sociedade pode engordar o caldo para moralizar’’, defendeu o bancário Marcos Ridão, que parou para ver os manifestantes passarem. ‘‘Você aí parado, também foi roubado’’, gritavam os integrantes do Movimento. Eles defenderam a instalação da Comissão Processante contra o prefeito Antonio Belinati (PFL) e a prisão dele. Belinati é apontado como um dos principais envolvidos no esquema, mas nega as acusações. ‘‘Eu apóio essa mobilização’’, disse o mestre de Obras Orlando Silva, que estava sentado em um banco no Calçadão. Questionado sobre o porquê de não integrá-la, ele afirmou: ‘‘Estou esperando um amigo’’. O aposentado Josimar Alves Accioli, que estava ao lado de Silva, também disse apoiar, mas não quis integrar o bloco. ‘‘Estou cansado’’, justificou. Outro aposentado, Sebastião Machado, defendeu cadeia para os corruptos, ao ouvir o refrão ‘‘1,2,3, Belinati no xadrez’’. ‘‘A polícia precisa prender quem errou. Ai, mas com essa Polícia que nós temos, como é que vai se fazer isso? É uma vergonha’’, afirmou, referindo-se às denúncias contra a Polícia Civil do Paraná que explodiram em depoimentos durante os trabalhos da CPI do Narcotráfico, em Curitiba. A dona-de-casa Anésia Ribeiro, que passava com o marido pelo Calçadão, recebeu o folheto com o resumo do caso AMA-Comurb. Ela disse não ter queixas contra o prefeito. ‘‘Se tenho casa hoje é graças a ele’’, elogiou, para completar: ‘‘Ele fez o PAI, postos de saúde e outras obras. Não tenho queixas’’. Ao ouvir o cometário, a pintora Maria Glória Barros saiu criticando. ‘‘Pelo amor de Deus, não diga isso’’, rebateu. Cada uma apresentou seus argumentos – a primeira pró-Belinati e a segunda contra. O marido de Maria Glória precisou intervir. ‘‘É um absurdo discutir na rua’’, criticou Carlos Barros. O ajudante de pedreiro Valdomiro José de Oliveira também saiu em defesa do prefeito. ‘‘Ele arrumou água e luz para o Assentamento São Jorge e agora esperamos o asfalto. Pode até ser que tenha problema na prefeitura, mas a gente não pode falar mal’’. Na Rua Professor João Cândido, um grupo de ambulantes discutiu com a ex-secretária municipal da Ação Social, Márcia Lopes. Ela entregou panfletos ao grupo, que respondeu que ‘‘todo mundo que entra lá rouba’’. ‘‘Eu trabalhei lá e não roubei’’, afirmou a ex-secretária. Para a comerciária Adriana de Andrade Pires, que trabalha numa loja da João Cândido, se ela fosse dona do estabelecimento, fechava as portas e iria integrar a mobilização. ‘‘Eu também sou estudante e sei como a coisa tá feita. O Brasil inteiro tinha que parar contra a corrupção. A gente paga, paga e todo mundo tira da gente. É um verdadeiro carnaval’’, analisou.