Curitiba - Apesar da grande divulgação nas redes sociais, o protesto de ontem à tarde, em Curitiba, contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), não conseguiu superar a primeira manifestação, de 15 de março. Segundo estimativa da Polícia Militar (PM), o ato concentrou ontem cerca de 60 mil pessoas no centro de Curitiba. Cinco meses atrás, a PM calculou 100 mil pessoas. No Estado foram mais de 109 mil manifestantes nas ruas, conforme a PM.
O dia ensolarado incentivou pessoas de todas as idades a se concentrarem na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) a partir das 13h30. Havia muitos idosos, famílias com crianças, jovens e teve gente que levou até cães enfeitados com bandeiras do Brasil.
Às 14h40 os manifestantes, guiados por três carros de som, seguiram pela Avenida Marechal Deodoro em direção à Boca Maldita, onde chegaram por volta das 15h30. Os carros de som eram de responsabilidade dos grupos que organizaram o evento, como o Direita Curitiba, Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua.
Moradores de edifícios do centro da cidade colocaram bandeiras nas janelas e saudavam os manifestantes que seguiam a pé. De alguns apartamentos, pessoas jogavam papel picado. Às 16h45, o protesto foi encerrado, apesar de muita gente ter ido embora assim que a passeata chegou à Boca Maldita.
Boa parte dos manifestantes usavam roupas com as cores verde e amarelo. Muita gente se manifestou por meio de cartazes, pedindo o impeachment de Dilma. "Fora PT" era a palavra de ordem no trajeto. Muitos cartazes também apoiavam o juiz federal Sérgio Moro, que comanda os processos relacionados à Operação Lava Jato.
A manifestação ocorreu pacífica e a polícia não registrou ocorrências graves. Duas pessoas vestindo camisetas vermelhas e gritando em favor do PT chegaram a ser agredidas pelos manifestantes. Com escoriações leves, foram orientadas pela PM a ir embora. Ainda na Santos Andrade, dois manifestantes queimaram a bandeira do PT.
A aposentada Maria da Conceição Bley e o médico Ubirajara Bley chegaram animados à manifestação, a segunda que o casal participa em Curitiba. Eles pediam o fim da corrupção e justiça para todos. O aposentado Anacleto Chamano trouxe para a rua disposição e bom humor. Ele enfeitou a roupa e a bicicleta de verde e amarelo e colou reprodução de notas de reais e dólares. Carregava uma mala enfeitada com as palavras "Petrolão" e "Lava Gato". No pescoço, Chamano trazia "Pixuleco", um simpático ursinho de pelúcia - pixuleco é o nome das 17ª e 18ª fases da Lava Jato. Chamano reclamou da corrupção e da falta de educação pública de qualidade. "É triste saber que você vai fazer 70 anos e ver a nação na situação em que se encontra."

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