Curitiba - Mais de 60 servidores da Secretaria de Estado da Saúde fizeram ontem uma manifestação em frente ao Centro Regional de Especialidades, no anel central de Curitiba, para mostrar o suposto descaso das autoridades paranaenses com a população. Foram distribuídos pedaços de bolo de chocolate simbolizando que o governo estaria ''dando um bolo'' na população ao não entregar medicamentos excepcionais para pacientes crônicos. Uma menina de um ano e sete meses foi apresentada como uma das vítimas do descaso do Estado. A garota, cujo nome não foi divulgado para preservar a família, precisa desde o final do ano passado de uma vacina para aumentar sua imunidade. Mas a vacina está em falta.
''É uma responsabilidade do governo do Paraná, que não tem competência para gerenciar os recursos e tem tirado do povo o direito de medicamentos excepcionais que são constitucionalmente responsabilidade dele'', disse Gabriela Sternhein, diretora do Sindicato dos Profissionais em Saúde do Estado do Paraná (SindSaúde). Os médicos teriam solicitado ajuda do Conselho Tutelar para forçar o Estado a fornecer a vacina para a menina - que tem que ficar internada constantemente pela baixa imunidade.
Os servidores também protestaram contra o desconto das horas não trabalhadas dos funcionários. Alguns teriam recebido pouco mais de R$ 1 no mês passado. Os servidores teriam se recusado a trabalhar 40 horas semanais, já que a jornada de trabalho era de 30 horas semanais. ''Funcionários e população são tratados com a mesma medida, com descaso. Por incompetência da Secretaria de Saúde'', avaliou.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Saúde reiterou que os servidores terão que cumprir a jornada de 40 horas semanais estabelecida pela Lei Estadual 13.666 de 2002 e pelo Decreto Estadual 4.345 de 2005. Foi reafirmado também que aqueles que não cumprirem a jornada terão as horas não trabalhadas descontadas do salário, conforme circular da Secretaria da Saúde em vigor desde 29 de março. Anteontem, o próprio governador Roberto Requião (PMDB) disse à FOLHA que os medicamentos estão sendo comprados regularmente. Apenas estariam suspensos os medicamentos sem protocolo - aqueles que não fazem parte dos excepcionais cadastrados junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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