Buenos Aires A frase ‘‘Força, senhor presidente’’ colocada em frente ao palácio do Congresso acompanhou, ontem, milhares de seguidores do Partido Justicialista (PJ, peronismo) no ato de apoio mais importante ao governo do presidente Eduardo Duhalde desde sua posse.
Um imponente muro de 150 soldados a cavalo bloqueou o acesso à casa dos legisladores em um ambiente de barulho ensurdecedor.
O peronismo duhaldista foi às ruas para assinalar quem consideram ‘‘traidores e corruptos’’, uma lista encabeçada pelo ex-ministro da Economia Domingo Cavallo que ocupou este cargo durante parte dos mandatos dos ex-presidentes Carlos Menem (peronista, 1989-99) e Fernando de la Rúa (radical, 1999-2001).
Um imenso dirigível artificial com o nome do mandatário sobrevoava a estátua principal do monumento dos Dois Congressos, em pleno centro de Buenos Aires, com centenas de bandeiras, com destaque para as dos taxistas organizados.
A chamada ‘‘Praça do Sim’’ convocada pela militância peronista para se opor aos já habituais ’panelaços’ de protesto contra as medidas econômicas que se repetem no centro de Buenos Aires e outros pontos do país, era vigiada por cerca de 1.300 policiais que se colocaram nos arredores do Congresso, segundo fontes policiais.
Apoio militarO presidente Eduardo Duhalde afirmou que a emergência social argentina ‘‘exige a participação ativa das Forças Armadas’’, como apoio logístico para enfrentar a crise econômica. Duhalde fez ontem o discurso de abertura do 120º período ordinário de sessões do Congresso.
Duhalde esclareceu que as Forças Armadas ‘‘podem participar da elaboração, do transporte, da distribuição de alimentos e da prestação de ajuda sanitária (...) Podem levar ajuda às áreas inundadas e contribuir para o trânsito da produção dessas áreas’’, disse, esclarecendo que ‘‘são tarefas que de maneira nenhuma modificam a missão essencial das Forças Armadas, que é a de garantir permanentemente a unidade, soberania e independência, protegendo os interesses da nação e a vida dos seus habitantes’’.
PrisãoA juíza federal María Servini de Cubría ordenou na noite de quinta-feira a prisão de Enrique Mathov, ex-secretário de Segurança Interior do governo de Fernando de la Rúa (1999-2001), devido ao processo que investiga a repressão oficial contra a manifestação popular de 20 de dezembro passado, que deixou seis mortos na capital argentina, informaram fontes judiciais.

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