Manifestação acaba em confronto no Calçadão
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Uma manifestação do recém-criado ''Movimento Memória Londrina Contra a Corrupção'', que reúne 22 entidades da cidade, realizada ontem em frente a agência do Banco Itaú, no Calçadão, acabou em confronto entre partidários e cabos eleitorais dos candidatos que disputam o segundo turno das eleições, Antonio Belinati (PSL) e Nedson Micheleti (PT).
O movimento escolheu o Calçadão para a manifestação devido à ''Pedra da Moralidade'', colocada no local há quatro anos pelo Movimento pela Moralidade na Administração Pública. No entanto, a menos de cinco metros do local, estava instalada uma barraca com cabos eleitorais de Belinati, distribuindo material de campanha.
''Várias entidades se juntaram, debateram e entenderam que seria uma bandeira importante para discutir com a sociedade. Ninguém pode ficar em cima do muro. O objetivo é mostrar que o povo de Londrina é sério, honesto e que luta contra a corrupção'', afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, Geraldo dos Santos. ''Faço parte de sindicatos, da Transparência Brasil, sou empresário e estou aqui como cidadão participando deste manifesto. Isso é um reflexo do Movimento pela Moralidade, o despertar da sociedade, estar presente no destino da cidade. Vamos no dia 31 estar elegendo uma pessoa que vai administrar a cidade nos próximos 1.460 dias e é importante o cidadão se posicionar não só no voto, mas perante a opinião pública, deixar registrado o seu posicionamento'', disse o empresário Valter Orsi. ''Quem tem memória sabe da história da cidade e quem sabe faz a hora'', complementou o presidente do Sindicato dos Professores de Rede Particular de Ensino (Sinpro), Eloir Martins Valença.
A confusão começou por volta das seis horas da tarde, quando os cabos eleitorais e voluntários da campanha de Belinati desmontaram a barraca e começaram a criticar os manifestantes do movimento Memória Londrina, que usavam o microfone para justificar a manifestação. Os dois grupos iniciaram uma briga verbal, gritando o número dos seus candidatos. A opção política cedeu lugar a provocações pessoais e por pouco não acaba em agressões físicas. Cerca de dez policiais militares interviram e formaram uma linha, dividindo os manifestantes.
Durante a manifestação do movimento Memória Londrina, cerca de dez pessoas surgiram empunhando bandeiras vermelhas com a sigla MST, e se juntaram aos manifestantes. No entanto, dois deles afirmaram à reportagem que não pertencem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ''O MST é um movimento historicamente alinhado aos movimentos democráticos, só que nessa manifestação, essas bandeiras não são do MST. Isso para nós é uma coisa plantada para tumultuar o processo. A gente considera isso um absurdo, é um jogo sujo'', disse a presidente do Sindicato dos Jornalistas de Londrina, Rachel Carvalho.
O membro da coordenação estadual do MST, José Damasceno, que estava na manifestação, confirmou que o movimento não participa do movimento Memória Londrina. ''Eu estou aqui enquanto cidadão porque acho que aqui estão os segmentos da sociedade civil organizada que querem realmente que sejamos um país justo e sem corrupção. Essas pessoas que estão aqui não são do MST, nunca foram vistas em nenhum acampamento do MST e essa bandeira nunca foi e nem é do MST. Nossa bandeira tem cor diferente, é um vermelho mais forte e além disso tem o símbolo e o timbre do MST, que são um casal e a bandeira do Brasil'', afirmou. ''Eu não tenho dúvidas que essa é uma tentativa de manipular a opinião pública contra ou a favor de qualquer movimento utilizando a imagem do movimento sem-terra.''


