Unaí (MG) - Cercado de seguranças particulares e soldados, o prefeito eleito de Unaí, Antério Mânica (PSDB), foi recebido ontem na cidade por mais de duas mil pessoas - entre 200 a 300 automóveis além dos populares que seguiram a pé ou de motocicletas pelos bairros pobres da cidade. Acompanhado pelo seu colega de chapa, o vice-prefeito eleito José Gomes ''Branquinho'' (PL), Mânica chegou em um vôo de Belo Horizonte (MG), onde estava preso preventivamente desde o dia 17 do mês passado sob a acusação de ser um dos mandantes do assassinato de três agentes fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho.
Mânica estava na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande Belo Horizonte, e foi liberado anteontem depois de um habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1 Região, em Brasília. A região de Unaí tem sido caracterizada pelo Ministério do Trabalho como área de intensa utilização de mão de obra escrava. Mânica foi indiciado e preso, no Paraná, pela Polícia Federal em agosto, sob acusação de ter contratado pistoleiros para a chacina.
O avião de Mânica pousou poucos minutos depois das 16 horas no pequeno aeroporto de Unaí, e teve que sobrevoar o local por algumas vezes até que os populares que festejavam sua chegada liberassem a pista de pouso. No rádio, a principal emissora FM da cidade, mobilizava a população para participar da carreata.
Parte do comércio da cidade predominantemente agrícola ficou fechado e os funcionários foram liberados para participar da manifestação de apoio ao candidato tucano. Mânica é o maior produtor de feijão da região. ''Isso não passa de articulação política contra ele'', acusou a dona-de-casa Karina Faria. A festa de apoio ao empresário acusado de envolvimento em assassinato previa no final da noite um culto ecumênico a partir das 20 horas e um churrasco.

mockup