Mandetta admite 'descompasso' com Planalto e repete que só tem o caminho da ciência a oferecer
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quinta-feira, 16 de abril de 2020
Folhapress 
Brasília - Em uma entrevista coletiva em tom de despedida, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nessa quarta-feira (15), ao lado de sua equipe, que há um descompasso em relação ao que defende o presidente Jair Bolsonaro e voltou a afirmar ter apenas o caminho da ciência a oferecer. Na fala, realizada no Palácio do Planalto, ele disse que sua equipe entrou unida e sairá unida, frisando desejar que quem quer que o substitua não se afaste do caminho da ciência.
Ao seu lado, estavam o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira, cujo pedido de demissão isolado foi rejeitado pelo ministro, e o secretário-executivo, João Gabbardo. "Estamos aqui eu, Wanderson e Gabbardo. Entramos juntos, estamos juntos e sairemos do ministério juntos", disse Mandetta.

O ministro reforçou que não cogita neste momento pedir demissão de seu cargo, mas deixou claro que a sua saída já está definida por Bolsonaro, afirmando, inclusive, que sondados para a sua vaga lhe fizeram consultas por telefone. Mandetta repetiu o discurso das três hipóteses que podem afastá-lo do ministério, entre elas a demissão. "Uma quando o presidente não quiser mais o meu trabalho. O segundo é, imagine, que eu pegue uma gripe dessa e tenha que ser afastado. E a terceira quando eu sentir que o trabalho feito já não é mais necessário porque de alguma maneira passamos por esse estresse."
"Todas essas alternativas continuam e são válidas. Claramente há um descompasso entre o Ministério da Saúde, e isso daí a gente colocou, e deixa muito claro que a gente vai trabalhar até 100% do limite das nossas possibilidades", completou.
O ministro passa por um processo de fritura pelo presidente Jair Bolsonaro e avisou aliados que deve ser demitido no posto. Ele não disse na coletiva, no entanto, quando seu desligamento ocorrerá.
Wanderson chegou a pedir demissão nesta quarta, mas Mandetta não aceitou. Já Gabbardo era um dos nomes especulados como um possível substituto "tampão" para a chefia do ministério. Mandetta se referiu ao pedido de demissão de seu auxiliar. "[Wanderson] mandou lá: 'Eu ia sair'. Eu [disse] não aceito. Estamos aqui tudo junto e misturado ainda. Mais um pouco."
Gabbardo, por sua vez, confirmou que pretende deixar a secretaria-executiva do ministério quando Mandetta sair da Esplanada. Ele ressaltou que aceitaria participar de um processo de transição entre uma equipe e outra. "Eu tenho compromisso com o ministro Mandetta. Ele me convidou, o dia que ele sair eu saio junto. Eu entrei no Ministério da Saúde muito jovem, em 1981. Ano que vem completo 40 anos de ministério e eu não vou jogar no lixo esse meu patrimônio", afirmou Gabbardo. Mandetta conduziu a entrevista coletiva dessa quarta para ressaltar que tem respaldo da equipe técnica no Ministério da Saúde.
Nesse sentido, ele se referiu a seus subordinados na pasta como "família". "Sabe como escolhi minha equipe? Foi pelo currículo do que fez, depois foi olhando no olho. Hoje não é uma equipe, é uma família", disse Mandetta.
SUPREMO
A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quarta-feira (15) que estados e municípios têm autonomia para determinar o isolamento social. Os ministros Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Luiz Edson Fachin, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam que prefeitos e governadores têm competência concorrente em matéria de saúde pública e, portanto, podem regulamentar a quarentena. O julgamento ainda não havia terminado até o fechamento da edição.


