Mandelli responsabiliza Belinati
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sexta-feira, 18 de maio de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
O ex-secretário de Governo de Londrina Wilson Mandelli afirmou ontem que o ex-prefeito Antonio Belinati (cassado, sem partido) aprovava pessoalmente todas as licitações da prefeitura, incluindo as realizadas na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb atual CMTU) e na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) que posteriormente o Ministério Público (MP) descobriu serem fraudulentas. A minha função dentro da prefeitura era de autorizar a abertura do processo licitatório. Mas sempre previamente consultando o prefeito, destacou Mandelli, que ocupou o cargo de janeiro a julho de 1999. Eu submetia à prévia aprovação do prefeito. O prefeito deliberava, insistiu.
Mandelli foi preso há duas semanas acusado de participação no desvio de R$ 1,7 milhão da prefeitura. Ele ficou na mesma cela de Belinati e só foi solto provisoriamente seis dias depois, com o ex-prefeito, por força de uma liminar concedida em habeas-corpus pelo Tribunal de Justiça (TJ). Ontem, o ex-secretário deveria ter sido ouvido pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo, mas seu advogado, Ronaldo Neves, pediu mais prazo para conhecer os autos. Um novo interrogatório foi marcado para 8 de junho.
Segundo Mandelli, os pedidos de abertura de licitação na Comurb eram encaminhados à Secretaria de Governo pelo ex-diretor administrativo-financeiro da companhia, Eduardo Alonso. De lá, o ex-secretário levava para apreciação de Belinati. Em momento algum, afirmou, soube que as licitações eram frias. Na verdade o secretário de Governo fazia exatamente isso: tinha a incumbência de fazer uma prévia consulta ao prefeito, minimizou, destacando que em geral Belinati já tinha conversado sobre as obras a serem licitadas com os secretário. Meu cargo era meramente burocrático. Era um técnico atendendo a um político.
Ainda segundo Mandelli, em maio de 99 ele deixou de assinar as autorizações porque entendeu que o volume de obras não era compatível com o déficit mensal de R$ 3 milhões. Ele acabou deixando a pasta no final de julho. Não se atacava o déficit e continuava um ritmo de obras feroz, lembrou, apontando que todos os novos investimentos da época eram feitos com recursos obtidos com a venda das ações da Sercomtel. Até porque não tinha dinheiro de outro lugar.
O ex-secretário acrescentou que não assinou as autorizações para a abertura de 23 licitações, em maio de 99, no valor de R$ 3,4 milhões e que teriam sido utilizados para abortar uma CPI da Assembléia que investigaria a venda das ações da Sercomtel. Eu nunca soube dessas licitações, assegurou.
Mandelli disse ainda que desde que deixou a administração, só voltou a reencontrar Belinati na prisão, onde trocaram poucas palavras. A única coisa que eu falei para o Belinati é que me arrependia profundamente de ter trabalhado nesse período na secretaria de Governo, disse. Mas infelizmente não posso tirar o carimbo (que tenho) da administração Belinati.
No próximo dia 23, o juiz Arquelau deverá ouvir o ex-presidente da Comurb Kakunen Kyosen e os ex-diretores Lúcia Brandão e Eduardo Alonso. Ontem, outro acusado, Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, também esteve no Fórum com o advogado Mauro Viotto e marcou seu interrogatório para o dia 15 de junho.


