O advogado Ronaldo Neves, que defende o ex-secretário de Governo e Administração de Londrina, Wilson Mandeli, disse ontem, que irá protocolar, na próxima semana, junto à 4ª Vara Criminal, um pedido de acareação. O confronto seria entre Mandeli, o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e os ex-diretores da extinta Comurb (hoje CMTU), Lúcia Brandão e Eduardo Alonso. Todos são réus na ação criminal proposta pelo Ministério Público (MP) por causa do desvio de R$ 1,7 milhão dos cofres municipais. Mandeli, que ficou seis dias preso em maio, foi interrogado ontem pelo juiz da 4ª Criminal, Arquelau Araújo Ribas.
‘‘Estamos juntando os decretos que normatizavam a atividade do secretário de Governo e de Administração, a relação de todos os gastos do Cogefi (Conselho de Gestão Financeira – criada para gerir os recursos da venda da Sercomtel), na ordem de R$ 110 milhões, que ocorreu entre 1998 e 99’’, informou Neves.
Segundo o advogado, a acareação tem o objetivo de esclarecer que Mandelli não participou ‘‘em qualquer processo, qualquer bando, ou qualquer quadrilha que tenha levado a esse estado de calamidade que é o município de Londrina hoje’’.
O promotor da 4ª Vara Criminal, Sérgio Siqueira, acredita que a acareação não modifica a situação. ‘‘A acareação é desaconselhável porque o direito de defesa do réu abrange confissão, negativa total ou parcial, e responsabilização de terceira pessoa. E cada réu tem o direito de se defender como pode; eu não posso forçar um réu a abrir mão do direito de defesa dele em detrimento de outro’’, afirmou.
No interrogatório, Mandeli, que foi secretário de Belinati de dezembro de 98 a agosto de 99, reafirmou que não teve participação em qualquer desvio. ‘‘A minha participação era estritamente burocrática, dentro do cumprimento dos deveres que me eram atribuídos. À secretaria cabia, tão somente, a abertura dos processos licitatórios’’, afirmou. ‘‘Toda vez que eu autorizava uma licitação eu consultava previamente o prefeito.’’
De acordo com o promotor, as declarações de Mandeli não acrescentaram muito ao processo. O empresário apontado como caixa de campanha de Belinati, Cassimiro Zavierucha, mais conhecido como ‘‘Carlos Júnior’’, e o funcionário da CMTU Ivo Tauil, deverão ser interrogados pelo juiz no dia 15.

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