O presidente da África do Sul, Nelson Mandela, disse ontem em Brasília que seu país e o Brasil têm ‘‘de superar profundas disparidades entre ricos e pobres’’. ‘‘Ambos enfrentamos enormes desafios para eliminar a pobreza, gerar empregos, prover moradia, saúde e assistência social para a maioria de nossos cidadãos’’, afirmou Mandela. A afirmação foi feita na frente do presidente Fernando Henrique Cardoso, que concordou com a avaliação do líder sul-africano e o elegeu ‘‘o herói do nosso século’’. O Brasil, disse FHC, tem ‘‘o desafio de superar uma pesada herança de séculos de exclusão social’’.
Os comentários ocorreram durante a cerimônia de recepção oferecida por FHC a Mandela, nos jardins do Palácio da Alvorada, da qual participaram 120 convidados, entre eles políticos e artistas. Antes do almoço, houve a solenidade oficial de recepção a Mandela no Palácio do Planalto. O líder sul-africano foi saudado com 21 tiros de canhão e passou a tropa em revista.
FHC disse que as diferenças herdadas impedem o País de obter avanços democráticos. Mas na opinião dele, as ‘‘diferenças e as discriminações’’ serão abolidas à medida que houver ‘‘conquista da cidadania e da liberdade’’. Mandela elogiou o Plano Real, o qual afirmou ser o responsável por trazer ‘‘benefícios econômicos’’ que atingirão no futuro ‘‘a maior parte da população brasileira’’.
Segundo ele, alguns programas sociais executados pelo Comunidade Solidária e pelo Ministério da Agricultura, por meio da agricultura familiar, servem como ‘‘exemplos valiosos’’ e deveriam ser seguidos por vários países, inclusive a África do Sul.
Ontem foi a terceira vez que Mandela e FHC se encontraram. Eles se conheceram em 1996, quando o brasileiro foi à África do Sul. Depois se viram este ano na Suíça. Na visita, houve uma conversa reservada de cerca de 40 minutos.
Os representates de Brasil e África do Sul - cujos negócios se baseiam em exportações e importações que envolvem cerca de US$ 800 milhões - garantem que o relacionamento comercial será intensificada. FHC afirmou que Brasil e África do Sul desempenham ‘‘papel de grande importância’’ em seus continentes - o Brasil é um dos líderes do Mercosul (bloco econômico que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a África do Sul do Sadec (bloco econômico que reúne 14 países africanos) e que devem ampliar suas ações.
Para FHC, os dois países dispõem de ‘‘credenciais que serão ainda mais fortes’’ para alcançar mais espaço na ‘‘agenda internacional’’. O comentário foi uma referência às candidaturas dos dois países a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), em uma futura reforma do órgão.
‘‘Isso vai junto (o pleito ao conselho), mas é mais amplo’’, disse FHC, afirmando que independentemente de estarem formalmente no órgão os dois países já desempenham um papel de ‘‘integração, equilíbrio e paz’’ no cenário internacional.

mockup