O segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, especialmente na área econômica, será debatido nesta hoje no Rio de Janeiro por autoridades do governo e da oposição, além de economistas independentes. O debate, organizado pelo Fórum Nacional, tem por objetivo discutir ‘‘A Crise Global e a Estratégia do Novo Governo’’ e será realizado a partir das 14h30 na sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Segundo o coordenador-geral do Fórum, João Paulo dos Reis Velloso, ex-ministro do Planejamento (governos Médici e Geisel), depois de aprovadas as reformas administrativa e da Previdência, o grande desafio do segundo mandato de FHC é promover uma segunda geração de reformas estruturais, que abra caminho para avanços sociais. ‘‘O segundo mandato começa sob o signo da estabilidade fiscal. Por que pagar o processo de um ajuste fiscal rigoroso? Para ter mais recursos para a área social, cultural e de ciência e tecnologia. Na situação atual não há margem de manobra.’
Na opinião de Reis Velloso, uma vez aprovado o ajuste fiscal, o governo deverá se voltar para essa segunda geração de reformas. ‘‘Tributária, política, das relações de trabalho, dos modelos sociais, do modelo previdenciário, para que tenha um caráter mais de fundo de pensão.’ Em novembro de 1994, o Fórum Nacional organizou um debate semelhante para discutir as prioridades do atual mandato de FHC. Na época, as discussões se concentraram no combate à inflação e nos desafios para a implementação do Plano Real.
Este ano, o debate começa com uma apresentação do economista-chefe do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Ricardo Hausmann, sobre a crise global. Em seguida, o ministro do Planejamento, Paulo Paiva, expõe as prioridades do novo governo FHC.
Ainda na abertura, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, apresenta a estratégia econômica do segundo mandato. Malan deve fazer uma exposição detalhada das metas do ajuste fiscal e de crescimento do país até 2002. Participam também do encontro de hoje os economistas Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (governo Figueiredo), e Raul Velloso, especialista em contas públicas. O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) também participa dessa fase do debate. Mercadante deverá fazer uma exposição da proposta econômica do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, derrotado na última eleição.
O encerramento será feito pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Francisco Lopes, que fala sobre a atuação do BC durante os piores momentos da crise internacional.

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