Se perder a imunidade parlamentar que o mandato de deputado lhe garante, Custódio da Silva poderá ser condenado em dois processos criminais que tramitam na Justiça. Num deles, é acusado de peculato (desvio de verba pública), por apropriação de parte do salários dos funcionários de seu gabinete na Câmara de Curitiba, entre 1993 e 99, quando era vereador. No outro, a acusação é concussão, por fraudar prestação de contas de uma entidade assistencial que dirige para ficar com o dinheiro.
Nos dois processos, o Tribunal de Justiça (TJ) do Estado aguarda licença especial da Assembléia para processar Custódio. Até agora, o presidente da Casa, Hermas Brandão (PPB), não se manifestou sobre o assunto. Os processos estão no TJ porque, além da imunidade parlamentar, o mandato garante foro privilegiado.
Além dos processos criminais, Custódio responde a quatro ações cíveis: por se apropriar dos salários de funcionários, utilizar veículos da Câmara para atividades particulares e em campanhas políticas, e colocar placas se apresentando como responsável por obras públicas. Os supostos desvios superam R$ 1 milhão. Ele responde ainda a cerca de 40 ações trabalhistas. Os dois casos não são alcançados pela imunidade.
A carreira política de Custódio começou de maneira inusitada. Metalúrgico e líder sindical, ele fez uma greve de fome de quatro dias em 1991, ao ser demitido. No ano seguinte, elegeu-se vereador pelo PST. Depois, passou por PDT e chegou ao PFL. Tanto na Câmara de Vereadores como na Assembléia Legislativa, é conhecido pela prática do assistencialismo. (V.D.)

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