O delegado-chefe da Divisão de Narcóticos (Dinarc), Adauto Abreu de Oliveira, admitiu ontem que o mandante do atentado contra a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em Curitiba, é uma pessoa citada na CPI Nacional do Narcotráfico. Adauto não quis dar o nome do acusado, mas no sábado já havia mencionado que o mentor intelectual do crime seria um figurão de Curitiba. O mandante responde a processos na PIC.
A polícia também está atrás do terceiro autor do atentado, ocorrido na madrugada do dia 29 de dezembro. Adauto disse que a prisão dele – que pode sair nas próximas horas – deve levar ao mandante do crime. Duas pessoas com características físicas semelhantes estão sendo investigadas, uma delas é um policial militar. O terceiro suspeito seria um homem branco, entre 25 e 30 anos de idade, cerca de 1,85m de altura e cabelos castanhos curtos. Ambos são conhecidos do segundo tenente Alberto Silva Santos, acusado de ter sido contratado pelo mandante para comandar o atentado.
Quando for preso, o terceiro suspeito vai passar por uma sessão de reconhecimento com o policial civil Edson Clementino da Silva, o ‘‘Lambe-Lambe’’, e o frentista do posto onde o combustível usado no atentado foi comprado. Junto com o segundo tenente Santos, o desconhecido teria invadido a PIC para atear fogo em processos criminais.
A revelação foi feita no sábado por Lambe-Lambe, que confessou que foi chamado pelo tenente para levá-los no carro do PM até a PIC. Ele alegou que não conhece o terceiro envolvido e só descobriu do que se tratava quando Santos contou o que fez após o incêndio. Uma frase (mantida em segredo) dita pelo tenente Santos a Lambe-Lambe deu pistas para que a polícia voltasse a ter chances de identificar o mandante.
Na noite de domingo, a Central de Inquéritos autorizou a liberação do policial civil Mauro Canuto, que ficou preso temporariamente por 10 dias. Adauto disse que não há provas que confirmem o envolvimento dele no incêndio. A Justiça determinou ainda a prisão preventiva de três acusados. O tenente Santos, o sargento Ademir Leite Cavalcante e Lambe-Lambe vão continuar presos por mais 10 dias.
Depois de descartar o envolvimento do advogado Antônio Pellizzetti e do sargento Cavalcante, o delegado decidiu manter o indiciamento deles no inquérito. Ele disse que novos dados levantados entre a tarde de sábado e madrugada de domingo forçaram a decisão. ‘‘Há ligações telefônicas do tenente para o sargento antes, durante e depois do atentado.’’
Pellizzetti foi novamente interrogado ontem. Com a quebra de sigilo telefônico, Adauto disse que surgiram dúvidas sobre declarações feitas pelo advogado. No primeiro depoimento, ele havia afirmado que o tenente Santos não lhe telefonou no dia do atentado. Mas Adauto disse que registros telefônicos revelaram que o tenente ligou para o celular de Pellizzetti às 8h41 da manhã de 29 de dezembro. Santos não conseguiu completar a ligação e três minutos depois foi a vez do advogado retornar a ligação para o tenente. Pellizzetti negou ter feito a ligação.

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