O pré-candidato a governador de São Paulo e ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) conseguiu ontem pelo menos dez votos de deputados do partido a favor do governo na votação da reforma da Previdência. Em troca, Maluf faturou politicamente com a presença em Brasília, onde começou tomando café da manhã com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada, e à tarde, negociou com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, a liberação de verba para estradas.
‘‘Estamos aqui para dar nossa quota de contribuição’’, afirmou o ex-prefeito, ao anunciar que estaria virando dez votos para o governo. Da última vez em que esteve em Brasília dando a colaboração às reformas, Maluf conseguiu causar um estrago dentro do PSDB do adversário Mário Covas, governador de São Paulo, criando dificuldades para Fernando Henrique desfazer o rancor dos tucanos. Desta vez, Maluf teve uma ajuda mais explícita do PFL.
O PSDB queria dispensar a presença de Maluf em Brasília, mas o ex-prefeito se insinuou por meio do líder do PPB na Câmara, Odelmo Leão (MG). Na tarde de anteontem, Leão tentou, mas não conseguiu convencer o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, de que a presença de Maluf em Brasília era importante para reverter os votos dissidentes do PPB, bancada mais problemática para o governo.
À noite, no entanto, Maluf conversou por telefone com dois pefelistas: o ministro extraordinário para a Coordenação de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (BA), segundo relato do ex-prefeito. ‘‘Eles me disseram que o presidente (Fernando Henrique) tinha marcado um café da manhã no Alvorada; fui convocado, então vim pra Brasília’’, contou Maluf.
Para participar do esforço governista ontem, o ex-prefeito cancelou na última hora a viagem que faria a oito cidades do interior paulista, na região de Apiaí. ‘‘Essa reforma é socialmente justa’’, completou Maluf. ‘‘Se eu fosse deputado federal, votaria a favor da reforma.’ O deputado Jurandyr Paixão (PPB-SP) ofereceu a residência no Lago Sul - bairro nobre da cidade - para um almoço de Maluf com 18 pepebistas dissidentes.
Entre os descontentes, estava a deputada Alcione Athaíde (PPB-RJ), chateada com o pouco caso do governo com a emenda orçamentária de autoria dela para a construção de um acostamento na estrada que liga São João da Barra a Campos, no Rio. Maluf ligou às 15h30 para Padilha e negociou a liberação da verba. ‘‘É uma coisa tão simples, que uma motoniveladora resolve em cinco dias’’, afirmou. ‘‘O presidente é rápido, mas o governo é lerdo’’, emendou Maluf.

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