O ex-prefeito Paulo Maluf, candidato do PPB ao governo do Estado de São Paulo, elegeu o desemprego como principal tema da palestra realizada ontem na Associação Comercial de São Paulo. Como seu principal adversário, o candidato do PDT, Francisco Rossi, Maluf disse que pretende atacar o desemprego na capital e no interior entrando na guerra fiscal. Mas ao contrário de Rossi, Maluf disse que não será guerra, mas sim ‘‘justiça fiscal’’, e deu um exemplo’’: ‘‘Vou oferecer para as empresas as mesmas condições que os outros Estados, mas desde que elas criem mais empregos do que o previsto inicialmente’’, disse Maluf.
Segundo ele, a guerra fiscal tal como a praticada hoje, ‘‘é um verdadeiro extermínio’’. O ex-prefeito disse que em novembro de 97, quando esteve nos Estados Unidos, recebeu uma proposta do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Segundo Maluf, Azeredo teria feito um convite para que a Eucatex (empresa da família Maluf) se transferisse para Minas Gerais em troca de isenção de ICMS por 10 anos, seguidos de mais 10.
‘‘O fato (guerra fiscal) existe, não adianta agir como avestruz e enterrar a cabeça na terra para não ver o que está acontecendo. Ou se conserta esse problema na reforma fiscal ou o governo de São Paulo tem coragem e diz que a Constituição vale para todo o Brasil’’, disse Maluf. Segundo ele, o número de indústrias de autopeças nos últimos quatro anos diminuiu de 300 para 120, em todo o Estado causando uma queda no número de empregos de 350 mil para 150 mil.
Maluf aproveitou para criticar as privatizações realizadas na administração Mário Covas. ‘‘com a federalização do Banespa, Fepasa, Ceasa e Ceagesp, e a privatização da CPFL, Eletropaulo e Elektro (distribuidora da Cesp), São Paulo comeu um século de poupança. O que é de São Paulo hoje é o abacaxi da geração de energia elétrica, que ninguém quer’’, disse Maluf.
O acordo da dívida de São Paulo com a União, fechado no final de 97, também não escapou das críticas de Maluf. ‘‘Sei que as finanças não foram saneadas, e o acordo realizado deixará os próximos sete governadores com as mãos amarradas, enquanto não pagar metade da dívida, o Estado de São Paulo não poderá negociar empréstimos nem aqui nem no Exterior’’.
Ao encerrar o tema desemprego, Maluf reafirmou a meta de criar um milhão de novos empregos em quatro anos de governo. ‘‘Assumo o compromisso sagrado de criar 250 mil novos empregos por ano, no interior, na capital e na Grande São Paulo.’’Arquivo FolhaMaluf: não adianta agir como avestruz e ignorar o problemaJô Pasquatto
Agência Estado

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