A campanha eleitoral nem começou, mas o candidato do PPB ao governo de São Paulo, Paulo Maluf, já está pedindo votos para a reeleição, em 2002, e para a Presidência da República, em 2006. O plano político de Maluf surpreendeu o ex-presidente do PPB, senador Esperidião Amin (SC). ‘‘A candidatura à Presidência não era em 2002? ou o senhor está fazendo algum acordo secreto?’ perguntou Amin.
Maluf começou a pedir votos logo após ser questionado sobre o fato de, mesmo estando com os direitos políticos cassados pela Justiça de São Paulo, por causa do escândalo dos títulos públicos, presidir, em Brasília, a sessão da executiva do PPB que expulsou o deputado Sérgio Naya. Em resposta, Maluf disse: ‘‘Vou recorrer ao Tribunal de Justiça, com efeito suspensivo; se for preciso, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, ainda, ao Supremo Tribunal Federal (STF), em último caso’’, disse Maluf.
‘‘Portanto - continuou o ex-prefeito - vocês poderão votar em mim para governador, depois em mim, na reeleição e, daqui a oito anos, em mim de novo, para presidente da República.’ Os direitos políticos de Maluf foram suspensos por quatro anos, com os do prefeito Celso Pitta, em primeira instância. Os dois foram condenados pelo suposto desvio de R$ 1,23 bilhão, destinado ao pagamento de precatórios.
Maluf estava usando um cinto com uma grande letra ‘‘H’’. Perguntado sobre o que significava, respondeu: ‘‘Quer dizer Hermes’’. Em seguida, levou a mão à gravata e mostrou a etiqueta da peça: ‘‘Esta também é Hermes.’ Esta marca francesa era a preferida do empresário Paulo Cesar Farias, o PC, quando dava presentes.
‘‘Se eu fosse o fabricante do produto, a marca seria PM, que quer dizer Paulo Maluf, ou então, Prefeitura Municipal’’, disse. ‘‘Poderia ser, também, Presidência... não, o quê mais?’ continuou perguntando. Em seguida, Maluf disse que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, chama-se Pedro Sampaio Malan (PSM), iniciais iguais às suas, de Paulo Salim Maluf (PSM). ‘‘Acho que é por isto que nos chamam de xarás’’, continuou o presidente nacional do PPB.
Recurso O advogado Enio Bastos, que defende o ex-prefeito Paulo Maluf e o atual Celso Pitta no caso dos precatórios, vai recorrer da sentença da 9ª Vara da Fazenda Pública, que determinou, segunda-feira; a suspensão dos direitos políticos de Maluf e Pitta por quatro anos. Segundo Bastos, a base da defesa será provar que não houve ‘‘desvio da finalidade’’, como afirma a sentença dada pelo juiz Venício de Paula Salles. Maluf e Pitta foram acusados de improbidade administrativa pelo suposto desvio de R$ 1,23 bilhão destinados ao pagamento de precatórios (dívidas de sentenças judiciais). ‘‘O dinheiro entra num caixa único: dos precatórios, IPTU, ISS, multas, etc. e isso constitui a receita do município, os precatórios vão sendo pagos de acordo com o seu cronograma de vencimento’’, disse Bastos.
Para o advogado, que foi juiz do Tribunal de Justiça por 16 anos, há um caráter político na sentença da 9ª Vara da Fazenda Pública. ‘‘Estou muito convencido de que existe um propósito político de alcançar Pitta, na sua administração, e substancialmente Maluf, no propósito de se candidatar ao governo do Estado de São Paulo’’, disse Bastos. Segundo o advogado, há uma ‘‘trama, uma sequência de ações judiciais contra os dois’’. Bastos criticou o juiz Pedro Luís Maringolo, da 12ª Vara da Fazenda Pública, que em 97 emitiu sentença semelhante contra Pitta, Wagner Ramos (ex-coordenador da dívida pública da prefeitura) e outras 15 instituições financeiras. ‘‘Maringolo se autopromove, convoca a imprensa e permite a divulgação da sentença antes de sua publicação, ou seja, antes mesmo de que ela tenha efeito’’, disse Bastos.

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