O presidente do PPB, Paulo Maluf, vai orientar a bancada de seu partido a votar contra o aumento da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) de 0,20% para 0,38%. ‘‘Numa economia, que praticamente está sem inflação, como aumentar o imposto em 90%?’’, disse Maluf, que ontem se reuniu com a bancada do PPB no Congresso para discutir as medidas do ajuste fiscal. ‘‘O governo não pode resolver o seu problema a custa da escravidão de 160 milhões de brasileiros, que por falta de produção, paga a conta’’, atacou Maluf.
Segundo o presidente do PPB, o ‘‘Imposto Verde’’ pode ser uma alternativa mais interessante, já que só penaliza aqueles que possuem carros. Ele ressaltou não ser contra o ajuste fiscal, mas que economistas do PPB como os deputados Delfim Netto (SP) e Roberto Campos (RJ) irão estudar as medidas do governo e inclusive os cortes orçamentários para apresentar uma alternativa.
Maluf criticou a condução da política econômica do governo. Segundo ele, com a balança comercial deficitária, o trabalhador brasileiro passa a ser o grupo mais atingido. ‘‘Nós temos a obrigação de chamar a atenção do governo, alertando que a solução é colocar o País trabalhando e não colocar o Brasil na recessão e no desemprego’’, disse o presidente do PPB. ‘‘Se não equilibrarem a balança comercial, se não colocarem o Brasil para crescer 4% ao 5% ao ano, se não aumentarem as esperanças dos jovens que se formam de conseguir emprego, não valeu o sacrifício’’, alertou Maluf.
Covas O governador de São Paulo, Mário Covas, voltou prometeu ir até as últimas consequências sobre o suposto dossiê de origem desconhecida contra políticos tucanos. O dossiê denuncia a existência de uma suposta empresa nas Ilhas Cayman, cujos sócios seriam o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Saúde José Serra, o ex-ministro das Comunicações, Sérgio Motta e Covas, com saldo bancário de US$ 368 milhões. ‘‘Eu nunca dei muita importância a essa questão’’, disse Covas. Achei uma besteira, e dei menos importância ainda quando o Serra falou que já tinha encaminhado o caso ao general Alberto Cardoso (chefe da Casa Militar) para apuração. Mas acho que ele prestará um serviço se ajudar a pôr na cadeia quem tenha feito essa safadeza.’’
Sobre a ligação do ex-presidente da República, Fernando Collor, e do ex-presidente do Banco do Brasil, Lafayette Coutinho no caso, Covas lamentou ser ‘‘o pessoal de sempre que está envolvido’’. ‘‘Parece que está se desencavando tudo que existia no País de complicado. De repente você vai ao fundo da questão e chega à conclusão de que o Collor mandou alguém anunciar; de repente tiram lá do fundo de não sei onde o falecido Lafayette Coutinho. Não é a volta dos mortos vivos, mas o pessoal envolvido é o de sempre’’, disse.
Covas afirmou que pretende esperar o término da apuração do caso, que está sendo conduzido a mando da Presidência da República, antes de tomar outra providência. ‘‘Acho que se deve ir até o fim na investigação, porque alguém tem que pagar por esse negócio. Não é a primeira vez que se grampeia, alguém precisa ir para a cadeia por conta disso. Não quero tomar a iniciativa de fazer uma apuração independente, acho razoável aguardar um tempo para ver as consequências dessa apuração, que está sob o comando da Presidência. Mas, no que se refere a mim, a intenção é ir às últimas consequências.’’Arquivo FolhaBom moçoMaluf: ‘‘Nós temos a obrigação de chamar a atenção, alertando que a solução é colocar o País trabalhando’’Agência Estado

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