Maluf insinua guinada para a oposição
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domingo, 25 de outubro de 1998
Carlos Eduardo Alves Agência Folha 
Paulo Maluf (PPB) insinuou ontem que pode tentar levar seu partido para a oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Me procura amanhã para fazer essa pergunta, respondeu quando indagado se manteria o apoio ao governo federal.
Em entrevista concedida ontem de manhã, depois de votar na Faculdade de Engenharia de São Paulo, Maluf pontuou sua fala com críticas ao governo. Se a população soubesse o que lhe espera daqui a três dias, teria mudado um pouco mais o voto, afirmou o pepebista, referindo-se ao que chama de pacotaço (ajuste fiscal).
Maluf substituiu, ainda de manhã, o costumeiro discurso único na aposta de sua vitória diante de Mário Covas pela pregação contra as medidas que serão anunciadas por FHC. Quem vai ser o bastião da resistência contra a exploração do pobre é Paulo Maluf, disse. Com a virtual derrota de hoje (ontem), no entanto, Maluf deve perder um pouco mais do controle que já não era total sobre a bancada do PPB na Câmara. Maluf escolheu o ministro da Saúde, José Serra (PSDB), como alvo. Serra dissera ser um blefe a fita de conversa telefônica de Covas que Maluf afirma ter em mãos. O ministro José Serra que se cuide. Se ele me desafiar... Ele (Serra) não tem nada de honesto, declarou o pepebista. Na linha de ameaçar os adversários, Maluf foi enigmático. O futuro muito breve vai mostrar quem são os desonestos da República, afirmou. Questionado se tinha provas para sustentar acusações contra os adversários, argumentou que não falaria se não tivesse muita prova. O candidato, no entanto, não apresentou nenhum documento que embasasse as suspeitas que lançou.
Também sem ir além da generalidade, Maluf disse que recebera ameaças. Pediu aos repórteres que o entrevistavam para que guardassem a fita da conversa. Se alguma coisa me acontecer, foram eles, soltou no ar mais uma vez, sem especificar sobre quem estava falando. A fita da conversa de Covas, segundo Maluf, foi fruto de um grampo telefônico feito dentro do Palácio dos Bandeirantes. De acordo com o ex-prefeito, outras pessoas também receberam a gravação.


