O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) atacou o presidente Fernando Henrique Cardoso e anunciou o início de sua campanha pela Presidência da República, com viagens pelo país, a partir de fevereiro. As declarações de Maluf foram feitas ontem de manhã, em seu quarto no hospital Sírio Libanês, durante uma hora de entrevistas, no seu primeiro contato com a imprensa após cirurgia na próstata na quinta-feira.
Procurando obter a simpatia dos congressistas para sua posição, Maluf disse que o governo está fazendo ‘‘uma tentativa vã de compra e venda de votos que deslustra a ética do Congresso justamente em uma época em que o Congresso tem se tornado ético e honesto’’. Ele reafirmou que a tese da reeleição para FHC é um casuísmo. ‘‘O presidente, por intermédio de sua suplente no Senado, Eva Blay, votou contra a reeleição em 10 de março de 1994, na revisão constitucional’’, afirmou.
Maluf disse ainda que, na mesma ocasião, os tucanos Mário Covas, José Anibal, José Serra, o atual vice-governador Geraldo Alckmin e os pefelistas Marco Maciel, atual vice-presidente, Roberto Magalhães e Inocêncio de Oliveira também votaram contra a reeleição. O ex-prefeito voltou a defender a realização de um plebiscito para decidir sobre a reeleição dos atuais ocupantes de cargos executivos. Ele disse que a convalescência de um mês não vai atrapalhar sua campanha contra a reeleição, pois desde o dia da operação já estava liberado para telefonemas. ‘‘Com 24h de operado, dei cerca de uma centena e recebi cerca de uma centena de telefonemas’’, afirmou.
Ontem foi divulgado o resultado do exame do tumor extraído na cirurgia. A análise confirmou que o tumor era maligno e de apenas 4% do volume da próstata. O médico Miguel Srougi também divulgou boletim médico afirmando que todos os pacientes submetidos à retirada da próstata e portadores de tumor de dimensões tão ínfimas curam-se definitivamente e voltam a exercer todas as suas atividades sem sequelas.
Maluf brincou quando perguntado se tinha medo de ficar impotente: ‘‘Isso poderia assustar a minha mulher’’. ‘‘Tenho certeza que vou continuar com a minha continência urinária e com minha atividade sexual’’, disse o ex-prefeito. A incontinência urinária atinge até 5% dos pacientes que retiram a próstata, e a impotência, até 40%, mas depende da idade do paciente e da extensão da cirurgia.
Abraçado à mulher Sílvia, o ex-prefeito disse que volta para casa na terça-feira e que a cirurgia não afeta em nada sua campanha contra a reeleição. ‘‘O tumor era pequeno e o risco de reincidência é zero’’.
Desde a internação, Maluf tem recorrido ao telefone para manter contatos políticos. Na quinta-feira, algumas horas após a operação, ele já ligava para o deputado Delfim Neto. No quarto, ele lê jornais e assiste a tevê. No quarto ao lado, a secretária Olga Maria atende as ligações e cuida das cartas e telegramas que chegam.
O ex-prefeito contou que o telegrama enviado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, expressando o desejo de melhora, ainda não chegou as suas mãos. ‘‘Fiquei sabendo pela imprensa’’, afirmou, adiantando que pretende responder a Fernando Henrique.
O líder do PPB na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Miguel Colassuono, visitou ontem Maluf no hospital. ‘‘A cirurgia não altera os planos políticos de Maluf a curto nem a longo prazo’’, observou. ‘‘Um telefone e a memória que tem, já bastam para ele’’.
Dizendo que não sabia da doença do ex-prefeito, diagnosticada em setembro, Colassuono comentou que o problema teve uma repercussão maior pelo fato de a doença ser menos conhecida. ‘‘A cirurgia tem menos gravidade do que a colocação de uma ponte de safena’’, disse.

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