Brasília - O ex-prefeito Paulo Maluf conseguiu se manter na corrida eleitoral pela Prefeitura paulistana, sem que seu partido, o PP, criasse problemas, graças a uma articulação discreta e eficiente do Palácio do Planalto e do PT junto com líderes do PP.
Quando estava em curso a operação da cúpula pepista para desfiliar Maluf da legenda, há três semanas, por conta das novas denúncias de que ele teria feito remessas ilegais para o exterior, dirigentes do PT entraram em campo e salvaram sua candidatura. A operação envolveu novos cargos para o PP e até um alívio para Maluf na CPI do Banestado.
A ação do PT teve objetivo duplo. Além de facilitar a vida da prefeita Marta Suplicy (PT) na briga pela reeleição, pulverizando as forças políticas que estão em confronto em São Paulo, o PT agiu para preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de desgastes políticos na disputa municipal. Era preciso evitar a qualquer custo a polarização entre a prefeita e o ex-ministro José Serra, do PSDB. A briga ganharia contornos de um terceiro turno da eleição presidencial e o Planalto não podia correr risco de uma derrota.
Para não haver protestos da cúpula do PP que estava empenhada no desembarque de Maluf, os setores do Planalto envolvidos na operação trataram de apressar o atendimento aos pleitos do partido. Com uma bancada de 54 deputados, o PP queria mesmo um ministério. Mas pelo menos por enquanto, contentou-se com a diretoria de operações da Petrobras e com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.
O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), cita a atuação do PT na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) que investiga remessa ilegal de reais para o exterior pelo Banestado. ''O Maluf foi poupado de comparecer à CPI, mas o ex-prefeito Celso Pita foi chamado a depor, com muito menos evidências contra ele'', diz José Agripino, ao lembrar que a iniciativa de adiar a convocação de Maluf partiu do relator petista, deputado José Mentor (PT-SP), indicado para a relatoria com a benção do amigo e ministro da Casa Civil, José Dirceu.

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